Thursday, March 26, 2009
Go rimbaud go rimbaud! Yeah do the watusi, do the watusi ...
Saturday, March 21, 2009
Dream of life

Thursday, March 05, 2009
Já a consigo ouvir...
You wanna get stoned
You wanna get a room like no-one else
You wanna be rich
You wanna be kitsch
You wanna be the bastard of yourself
You wanna get burned
You wanna get turned
You wanna get fucked inside out
You wanna be ruled
You wanna be fooled
You wanna be a woman like a man,
Like a woman like a man. "
Pensei, Pensei e Pensei. Pensei.
Da noite saiu uma contralua.
O vapor sempre me deixou desenhar nos espelhos muito melhor.
As imagens são lembranças do passado e do agora. O vindouro sopra numa música.
Já a consigo ouvir.
A sanidade não conhece as cores do mundo.
A ouvir: "Woman Like a Man" by Damien Rice
Friday, January 16, 2009
Mapa de Al- Idrisi
“O oceano rodeia os limites terrestres e tudo para além daí é desconhecido. Ninguém foi capaz de verificar o que quer que fosse, devido às dificuldades e perigos da navegação, a sua grande obscuridade, profundidade e tempestades frequentes; devido ao medo dos peixes monstruosos e terríveis ventos; no entanto existem muitas ilhas, umas com gente e outras desabitadas. Nenhum marinheiro se arrisca a entrar nessas águas profundas, e se alguns o fizeram, foi percorrendo ao longo das costas terrestres, receosos de se afastar demasiado. As ondas deste oceano, embora movendo-se com altura de montanhas, mantêem-se inteiras e sem se quebrar, porque se se quebrassem, seria impossível para um barco ultrapassá-las.“ eee Wednesday, January 14, 2009
Interlúdio
(Outlook)
quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009 16:57
To: bealivesky
Subject:
Luas sem voz, fazem com luz explodir imagens do mundo em sombras.
Quartos minguantes que fazem de nós sombras mais pequenas e quartos crescentes que nos arrastam nas correntes…
Mas posso a continuar a ouvir: Staring at the Sun - TV on the Radio; Love Song "The Cure"
Monday, January 05, 2009
You met me at a very strange time in my life...

"With your feet in the air and your head on the ground... "
Saturday, January 03, 2009
Vejo chover...
A ouvir: Stina Nordenstam "People are Strange"
A recordar: Sia "Breath Me"
A ver...

Wednesday, December 31, 2008
Um segundo a mais...
Porque a terra vai ter mais um segundo...
Um segundo no mundo.
.............com mais um segundo...
um gota de chuva/uma palavra/um desdem/um sorriso/um não/um sim/o final de uma musica/o inicio de uma voz/uma batida de coração/um bom dia/um ate já/uma luz que se apaga/um neon que chora/uma estrela nao cadente/um sorriso desesperado/papel rasgado/
uma dança/piscar de olhos/uma tontura/um grito/um silêncio/uma hipotese/uma queda/uma gargalhada/uma vergonha/um tocar/um gesto/um vapor/um adormecer/um reconhecimento/um golo/uma alegria/uma tristeza/um dedelhar/uma mudez/uma nudez/uma neve/um amor/um amar/um cantar/um escorregar/um pintar/um qualquer chorar/um seguir em frente
um segundo num mundo...pequenas eternidades que contam histórias nossas...
Para este continuar de novos dias que por ai vêm votos de muita poesia e musica.
Sem elas a vida seria simples de nua, triste e sem alento. A doçura de muitos sorrisos.
Um agradecimento à lua por este segundo.
Um parabéns a todos que sabem aproveitar o "espectaculo que é o mundo" e a mim por ser hoje que nasci.
A ouvir: "Cheated Hearts" Yeah, Yeah, Yeahs"
Wednesday, December 10, 2008
O riso e falta de siso....
Sei que arbitrariedade lógica da vida que nos diz ser guia, leva-nos para lugares longes, simplesmente muito longes.
Ha músicas que nos fazem sentir mais perto.
Hã ocasiões que oferecem tempo ao nossas horas.
A originalidade vaga que em crescendo arde no interior, naquele espaço do corpo que espera por vozes. E se existem lágrimas correm por prazer.
O batuque continua...com pequenos passos o medo foge. Os sapatos que tenho ganham vida, falam comigo.
Ai o "riso e a falta de siso" ....A Ouvir João Coração
Sunday, August 31, 2008
Para se chegar...
"Apanha-se um comboio para se chegar a uma cidade.
Apanha-se a morte para se chegar a uma estrela"
Vincent Van Gogh
Quatro Palavras
....há dias em que a monotia feita razão amplia tudo o que o ser lentamente digere....................... há horas lentas, vagas, vagorosas, mudas.......................em que o pesar feito golpe amplia o tempo
o que resta...................passagens... impetos quebráveis.... vidas (não vividas)....................................
...........................e possuir qualquer coração, com ingenuidade. Ponto Final.
(i will possess your heart/death cab for cutie).........................
Tuesday, June 03, 2008
Fanático das Nuvens...
Monday, March 10, 2008
Só faltou esta....
Say goodbye on a night like this
If it's the last thing we ever doYou never looked as lost as this
Sometimes it doesn't even look like youIt goes dark
It goes darker still
Please stay
But I watch you like I'm made of stone
As you walk away
I'm coming to find you if it takes me all night
A witch hunt for another girl
For always and ever is always for you
Your trust
The most gorgeously stupid thing I ever cut in the world
Say hello on a day like today
Say it everytime you move
The way that you look at me now
Makes me wish I was youIt goes deep
It goes deeper still
This touch
And the smile and the shake of your head
I'm coming to find you if it takes me all night
Can't stand here like this anymore
For always and ever is always for you
I want it to be perfect
Like beforeI want to change it all
I want to change
The Cure
08.03.2007....again and again again and againagain and again again and again an AGAIIIINNN
Thursday, February 21, 2008
Voltei...só para ouvir...
Ive been waiting for a guide to come and take me by the hand
Could these sensations make me feel the pleasures of a normal man?
These sensations barely interest me for another day
Ive got the spirit, lose the feeling, take the shock away.
Its getting faster, moving faster now, its getting out of hand,
On the tenth floor, down the back stairs, its a no mans land,
Lights are flashing, cars are crashing,
getting frequent now,
Ive got the spirit, lose the feeling, let it out somehow.
What means to you, what means to me, and we will meet again, Im watching you, Im watching her, Ill take no pity from you friends
Who is right, who can tell, and who gives a damn right now
Until the spirit new sensation takes hold, then you know,
Until the spirit new sensation takes hold, then you know,
Until the spirit new sensation takes hold, then you know,
Ive got the spirit, but lose the feeling,Ive got the spirit, but lose the feeling,
Feeling, feeling, feeling, feeling, feeling, feeling, feeling.
Thursday, January 10, 2008
......FIM.....
Wednesday, January 09, 2008
Um fim...9 de Janeiro
1925 - O compositor russo Igor Stravinsky apresentou-se pela primeira vez nos Estados Unidos, regendo a Orquestra Filarmônica de Nova York.
1926 - Abdul-Aziz ibn Sa'ud foi coroado rei de Hejaz e lutou para a unificação do país, hoje a Arábia Saudita.
1947- David Bowie, músico inglês
1959- Fidel Castro chega a Havana, capital de Cuba, após derrubar em 1° de janeiro, Fulgencio Batista (que fugiu para o exílio), e assume o poder em Cuba.
1968 - A TV americana exibiu pela primeira vez um documentário submarino do oceanógrafo Jacques Cousteau.
1980- Nascimento de Lourenço Rodrigues- um gajo porreiro
1992 - A sonda Sakigake fez uma operação de assistência gravitacional com o auxílio da força da gravidade da Terra
1994- Lançamento da missão Soyuz TM-18
1996 - François Mitterrand, que governou a França de 1981 a 1995, morreu aos 79 anos vítima de câncer na próstata.
1998 - Imagens transmitidas de Saturno pelo telescópio espacial Hubble fortaleceram a teoria da existência de planetas fora do sistema solar.
2006 - Mehmet Ali Ağca, autor do atentado contra o Papa João Paulo II, recebe ordem de soltura na Turquia. 2006 - Registrada a temperatura mais alta da cidade de Pelotas: 41ºC.
2008- Nuno Fernandes estuda arduamente para o exame de fenómenos de transferência 2
2008- Tenho a certeza que a esta hora algo deve estar a acontecer no mundo, para além do nascer do sol ou gravitar da lua, algo singelo e belo, talvez uma serpentina de desejos na névoa
2008- Um FIM... com reticências que viajam à velocidade de todas as palavras que se continuam a refastelar em livros, páginas, conversas, cafés, avisos, bilhetes de avião, paredes da cidade, jornais, mesas redondas e quadradas, nos olhares, nos lençois, nos postais, na MÚSICA..em alguns sofás e em todos os sitios em que os momentos valem por si mesmos...
E dando hoje os Parabéns a David Bowie: A ouvir "ZiggyStardust"
Monday, December 24, 2007
Uma noite quentinha...
Nedeleg laouen! Bon Nadal! Chuk Sung Tan Čestit Božić! Feliz Navidad!
Gajan Kristnaskon! Hyvää joulua! Joyeux Noël! Kala Christougena!
Kellemes Karácsonyt! Merry Christmas! Buon Natale! メリー・クリスマス!
Wesołych Świąt Bożego Narodzenia! Feliz Natal! Sarbatori Fericite!
С Праздником Рождества Христова S! prazdnikom Rozhdestva Khristova!
Klidné prožití VánocGod Jul Srozhdestvom Kristovym!
e se possível com muitas bolas de sabão sopradas no vosso miradouro preferido...que tal na Graça, Nossa Senhora do Monte ;) ?
Tuesday, December 18, 2007
I loves you porgy
I loves you Porgy
Don't let him take me
Don't let him handle me
And drive me mad
If you can keep me,
I wants to stay here
With you forever and
I'd be glad
I loves you Porgy
Don't let him take me
Don't let him handle me
With his hot hand
If you can keep me,
I wants to stay here
With you forever....
I got my man
e todas as musicas assim fossem....
Thursday, November 29, 2007
Portas que rangem...
....O silêncio da noite dá-me o barulho das estrelas. Deito-me num pequeno colchão, a noite esta rente à minha face, hoje o mundo fez-me uma ressalva.
Alguma atenção fúnebre experimenta o acaso e por acaso experimento o pernoitar.
A noite... este espaço infinito. Quem me dera que durasse mais algumas horas.
Sei que a madrugada não tarda a vir. A magia desaparece. O sol queima as coordenadas da minha vigília nocturna....
Penso no som dos acordeões, harmónicas, pianos e guitarras que dizem tudo mesmo quando me calo e minha mudez nada atinge.
O ranger das portas parece acompanhar-me. Que se abram então....
A ouvir: " The passenger"...Iggy Pop ou Siouxie...ja não sei qual a versão de que mais gosto..lol
Hoje apetece-me dançar....
.......Cities in Dust.....
Siouxie and the Banshees
Thursday, November 22, 2007
A ver...A ver...Control

Wednesday, November 14, 2007
Pariu uma lua...
Um corpo celeste que estanca uma ferida com estrelas.
Um noite tão negra, tão negra que pariu uma lua cheia.
Um carro que segue à minha frente tem olhos vermelhos que piscam.
Numa janela há luz fosca, doce e uma cortina que em forma de véu agasalha o que lá dentro de passa. Tenho vergonha de espreitar. É um segredo que fica verdadeiro.
Quatro rapazes caminham na rua.
Folhas secas divagam com eles.
Na minha rua, uma criança sorrateira prega sustos.
O velhote da mercearia espera por algo que não vem. Diz que os anos passam, começam no Carnaval, passam pela Páscoa, pelo Agosto e acabam no Natal. Parece que se entrega ao desapontamento mas os seus olhos azuis não mentem e esperam sempre por um bom dia ou por uma boa noite. E eu dou sempre que posso.
Uma mulher de vestido verde e dourado, descalça e de pé numa das estátuas da fonte do rossio. Tenho a certeza que faz parte de um sonho luminoso, de águas que recusam acordar. Por vezes o romance mascara-se de loucura. E eu adoro desvendar máscaras.
A máscara da graciosidade…delicada, simples, imbuída em purpurina que alimenta a retina num caminhar de mãos dadas.
Esta noite ofereci castanhas quentes.
A ouvir: Love will tear us apart control... A ver: Control
:** agradecimento a quem me lembra de fadas em fontes e partilha castanhas quentes num banco qualquer do rossio vista para o gremio, onde mensagens escritas em pins são pretinhas, chocalatinhas e lindas;)....
Friday, November 09, 2007
Lisboa, pelas 23:00, dia 7 de Novembro de 2007
I'm timeless like a broken watch, and make money like Fred Astaire...I see that you've come to resist me, I'm a pitbull in time...The pretence is not what restricts me it's the circles inside...An anatomy of kisses...And a teacher who tries and knows how we'll disappear...Would you like to be my Missus...And a future with child...You know we can't get back from here...We can get away, Baby won't you try to find me, Baby won't you try to fight, Baby won't you try to find me...Maybe it will be alright...Along the way...Tears drown in the wake of delight, there's nothing like this built today...You'll never see a finer ship in your life... ... I´ll go take you in a cruise...
Monday, October 22, 2007
703 Sonhos 720 Travagem
Da noite já tinham passado algumas horas...havia deixado a alcatifa do quarto e o vapor de alguma água quente. Descia pela rua escura, faltava a calçada luzente e as minhas belas luzes laranjas.
De vez em quando o corpo sente algum desapontamento e ao atravessar para o outro lado da rua, lembrei-me de algo sem que nada de especial o desperte. Lembrei-me que deixei coisas por escrever, se é que mesmo que algum dia terá um fim..passa o autocarro 703 Sonhos...
Fazia frio, da vontade fugia o quarto, paredes brancas, uma secretária castanha imune a impressões digitais e onde cortinas sufocam o sol....Desço a rua, a luz não reluz no chão, nem tão pouco no alcatrão da estrada...a calçada é um desenho laranja na minha memória... e parece que a encontro no fim da rua que queria descer...vozes maternas lembram o medo pelo desconhecido.. abrando a vontade mas não o passo...segue o autocarro 720 Travagem...
Volto para o quarto.
A ouvir: Arcade Fire : "Neighbohood #1"...memórias de em viagem e de volta a lisboa numa qualquer festa do estendal....;)
Wednesday, October 17, 2007
Redondo como a lua...

Chão da sala do mano Hugo- Noite - Alguns chuviscos-Reflexos de luz da televisão- Two More Years-Boas intenções - Volcano- Biscoitos e uma água- Palavras Insistentes-Cocorosie- Falta de nomes- Lembrança de uma varanda, de um baloiço e de um poema- Sofá de Sonhos
Não tenho mesmo grande jeito para datas...há um ano atrás (17.10.06) descobria o quanto é maravilhoso sentir a loucura dos lugares;)... os dias são mesmo viajantes da eternidade...( Bashô)
Friday, October 12, 2007
Tempo...
do Lat. tempus
s. m.,
duração limitada, por oposição à ideia de eternidade;
período;
época;
sucessão de anos, dias, horas, momentos, que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro;
meio indefinido onde se desenrolam, irreversivelmente, as existências na sua mutação, os acontecimentos e os fenómenos na sua sucessão;
certo período determinado em que decorre um facto ou vive uma personagem;
oportunidade;
ensejo;
estação ou ocasião própria;
prazo;
duração;
estado atmosférico;
Preciso de um bolso para guardar o tempo...
Tuesday, October 02, 2007
Bela Tolice das Coisas
" O ardor da tarde ilumina os bambus, as fontes murmuram com gosto, o sussurro dos pinheiros escuta-se na nossa chaleira. Sonhemos com a evanescência, e demoremo-nos na bela tolice das coisas"
" Os que são incapazes de sentir em si mesmos a pequenez das grandes coisas estão aptos a subestimar nos outros a grandeza de pequenas coisas".
Friday, September 28, 2007
Hoje...estou contente...
tenho razões para isso... e apeteceu-me partilhar...
...vou fazer o que gosto...;)
A ouvir: Scott Mathews: "Elusive"...é bonito...
Saturday, September 22, 2007
Capicuas
22 de Setembro...
111º post...
E como diriam os Naifa....
"A verdade apanha-se com enganos"
Sonhei aos vinte anos
durante três avé-marias
que eu tinha-me roubado a minha vida
depois de treler o monte dos vendavais
decidi ir contra a futilidade do romance
fui apanhado aos vinte e dois anos em plena capicua inocente e rua
em amantíssima posse viral
a verdade apanha-se com enganos
aos vinte e três outonos apaixonei-me doze vezes
e nem sempre pelas mesmas almas
mas sobrevivi a um coração míope
A verdade apanha-se com enganos
Esvoaçar...
Dilata-se o espaço dentro de uma chávena de cháDevagar ouço zumbidos
Lá fora alguém esvoaça, as suas asas tocam música
E no bater discreto desamarram violas
Dentro de uma chávena de chá, alguém
Com um manusear desperta pequenas ondas
Que circulam e fazem navegar o que lá no fundo fica
Como no coração navega o sangue
E na alma a claridade
Wednesday, September 19, 2007
Recordando...belas tardes...


Também se sonha no papel e se adormece no mar....
De água que refresca a raíz que imagina a Flor e pinta a pétala que vibra o olhar e uma gota de água que se põe a sonhar cintila na erva fresca....
A ouvir: The Smiths : " Some girls are bigger than others"
uma tarde no next-art, escrevendo intuitivamente sobre papel de restaurante...lol...saudades..
Sobre o poema...

"Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangueou sombra de sangue pelos canais do ser..."
Herberto Helder
A ouvir: PJ harvey "When Under Ether "
Saturday, September 08, 2007
A Ouvir...a ouvir...
Luas...
Há sempre tantas luas.
Uma chavena de café para oferecer.
Uma janela para ficar a olhar,
de cabeça enconstada à vidraça, tecendo com a respiração
a passagem de notícias que vindas de longe nos convidam a deambular
Há sempre um mundo que nos espreita ao contrário
e que nos delicia com boleias de bicicletas destinadas a trapezistas.
E casas, casas que saem do ventre arquitecto de um qualquer mastro ou eixo que se perdeu no céu.
É doce sonhar.
Esmiuçar a sacarina de cada viagem feita bola de sabão que devagar e silenciosamente se liberta de cada vez que expiro...
A ouvir: Stina Nordenstam...
...porque há noites em que razões tristes nao roubam sorrisos... jantares muiito saborosos ( agradecimento especial à claudinha) e aneis de cores mágicas oferecidos encantadooooraaaamente;)...liiindo. obrigado n:)
Monday, September 03, 2007
Embriagar...

A tarefa de criar não é grata.
Não existem novas palavras, todas estão reunidas num dicionário. Umas são mais usadas que outras, mas todas elas esperam ser usadas, dissecadas...
Dissecar palavras é um termo forte, é mesmo um crime dissecar palavras... puxar-lhes as entranhas, atingi-las, infligi-las e mesmo assim torná-las sóbrias no meio de um texto ou poema.
As palavras não são mais do que pequenas gotas etílicas à espera que alguém se embriague por elas....
Álbum de família...
Monday, August 27, 2007
Baby, did you forget to take your meds?
A ouvir: Placebo...
Sem sono...

Na verdade, não deve ser só de isso. Chegar a casa à uma da manhã e a porta estar encravada ajuda...tentar entrar pelas traseiras e acontecer o mesmo também desperta um bocadinho...o meu vizinho do lado ter se esquecido de mim enquanto supostamente ia buscar uma faca também...e o de cima descer de roupão e dar umas boas marradas à porta também...enfim, afinal o truque estava mesmo num pano de cozinha que delicadamente protegeu os dedos do meu vizinho e ele lá empreendeu na chave toda a força que tinha...
Mas nem tudo corre mal...a minha televisão finalmente tem imagem e já não parece um rádio gigante...
Ai não fosse o bacalhau com natas e caril de frango da Dona Isaurinha....hummmm..........;)....
A ouvir: Nada como Clash para arrebitar mais um bocadinho;)
Monday, August 20, 2007
A minha menina...
Just hold on to me
Walk tight
There's no-one to blame
And I'm right on time
I walk
With you
And I'm right on time
Now is
Now the
And I'm right on time
And I'm right on time
One
Circunstâncias

Há sempre...
Um sonâmbulo que ri
Uma árvore parida pelo vento
Um fruto que é mendigo da terra...
E nas entrelinhas, no papel em branco
Vivem pessoas
Ouço o seu ritmo, o gotejar do coração
O eco das palavras, a mudez dos pensamentos
Do lado de dentro barulho vazios criam inutilidades, distracções não identificáveis
Pergunto onde estará o photomaton,
o tempo parado que conta histórias
pequenos episódios que oferecem o espantoso à nossa vida.
Saturday, August 18, 2007
Hoje...
hoje estou cansada
estou com saudades
ouço phoenix da cibelle
penso no dia que vem
no que dia que deixei
lembro-me de escadas onde me sentei
de luzes que me surpreenderam
hoje tenho cobertores desenrolados
pernas cruzadas e pensamentos atardoados
hoje tenho medo
mas por vezes ele esconde-se em vozes que nunca partem
deixo-me ir e repouso
para um dormir
para um acordar
para uma poesia experimental
que sorri à chama da intuição
do andar, sem pensar
do sentir, sem discernir
HOJE, Hoje, HOJE, hoje....H....O....J....E ... hOjE...experimento a descontrução apaixonada do mundo e das palavras...experimento a vida ao contrário...
Thursday, August 16, 2007
Um Sofá...

Do meu pequeno
sofá de sonhos
magnetizado pelo
som de uma estrela
Despeço-me
Transpiro o sabor do
adeus
saturo as lágrimas
condensadas de uma alegria
Ateio fogo ao peito
espero renascer
numa nuvem
e fazer chover
as lembranças
A ouvir: Anthony and the Jonhsons: " Man is the Baby"
Wednesday, August 15, 2007
Simplesmente Candy....
"Candy said she's made arrangements for me in the sand
And Candy said she wants me with her down in Candyland"....
Morphine....uma música perfeita para uma banda perfeita...
(obrigatório ouvir pelo menos uma vez na vida)
Tuesday, August 14, 2007
A relembrar....

A verdade que pertence aos gestos
Ao menor dos nossos gestos
Antes de chegarem palavras que nos socorram
Ás vezes é a verdade de um amor.
António Tolentino Mendonça
Friday, August 03, 2007
Para contar...
Carta# 3
Pensei em inúmeros casos para te contar.
Ouço o barulho das máquinas, à minha frente tenho uma grua de ideias…
As luzes tornam a vista muito mais bela e acolhedora…
Sinto a minha cabeça de novo muito pesada….sinto que os meus pensamentos se acusam mutuamente, lutam uns contra os outros, mas empatam…nada se resolve…não vejo uma abertura no meu saco de decisões…continua fechado pronto a ser incinerado por uma alucinação qualquer que entretanto decida por mim.
São vozes que me abrem ao espaço, são melodias que me encantam neste céu negro nocturno onde nada mais se ouve a não ser o respirar contínuo do mundo para mais um dia.
O sol levou o passado para longe para o espaço ausente de existência, para o arrastar antigo das lembranças.
És tu lua, a minha eterna companheira de paisagens nocturnas a que chamo para junto de mim.
As tuas sombras são indistintamente belas, mereciam que as visitasse.
Eu jurei que um dia iria ser uma fada e conseguiria deambular pelas noites com uma varinha. E uma promessa a cumprir…apenas não sei a hora exacta, mas não faltarei ao meu compromisso.
Arrasam-se os tempos…e difícil controlá-los. Se eu bradar trarei pausadamente a loucura intima das horas, escolherei as palavras certas como que uma inspiração natural da certeza que não se questiona por tão pura que é entre as pedras que vou recebendo.. e que me confundem num bailar interminável de contextos onde a fera está escondida e apanha-me constantemente desprevenida.
Toda a verdade resume-se a beleza.
Toda a beleza resume-se a verdade de sentimentos e algum sorriso.
A ouvir: Morphine "I´m free now"; Lou Barlow "Legendary"
Alguém me constroi um calculador de improbalidades?
Calculador de improbalidades...Ana Hatherly, a minha rilkeana preferida;)...
Thursday, July 12, 2007
Há dias em que apetece ouvir....Volcano...
Junho de 2005...um cd meio perdido chamado O...soava e soava....
De vez em quando...

De vez em quando ouço trovões…adoro ouvir trovões…é um som tão genuíno, daqueles que nos lembram que estamos vivos de alguma maneira... de vez em quando até o céu consente ser fotografado.
Fecho os olhos e apenas quero vislumbrar a origem das coisas, a domesticação das palavras, sons cobertos de pequenos toques, pensamentos vindos de dentro, onde apenas circula o sangue.
Por vezes é mesmo necessário parar o corpo, interromper o movimento das pernas, esperar...esperar pelo ensejo forte e não contraditório que só algumas horas nos oferecem.
A ouvir: Seu Jorge : " Rebel, Rebel"....."a maquiagem vai desmanchar para o seu medo aparecer"
Wednesday, June 27, 2007
Uma boa noite... ao Som de ...Vancouver
E que tal deixar cair e escorregar o corpo rente ao chão, olhar pela janela, ver a calçada e nele desenhar uma coreografia como se arrancassemos todos os sentimentos em gestos?
Instalação # 2

Saímos e deu-nos vontade de correr entre as entradas dos demais quartos. Atiramo-nos contra as paredes, exploramos aquele sitio intermédio, ponto neutro entre os quatros que ainda nos faltava entrar...exploramos de quantas maneiras pudemos experimentar. Deixamos a palma invisível da nossa mão marcada nas paredes, deixamos o nosso corpo lentamente cair pela parede, despimo-nos e sentimos o frio e o rugosidade do chão enquanto sorriamos uns para os outros e nos imaginavamos outras pessoas.
Acabamos por dormir um pouco... Uns deitados, outros encostados nas paredes apoiados uns nos outros.
De um dos quartos ouve-se um zumbido e um de nos começa a assobiar. Compõe-se uma musica, é traçado um ritmo, mas nenhum de nós larga a anterior posição, continuamos sentados ou deitados. Estamos com medo. Estamos um pouco cansados. Naquele momento bastava bastarmo-nos uns aos outros.
Alguém tenta acender a luz, mas não consegue. O quarto não tem luz.
Uma boa noite....ao som de Elefhant Gun...
E que tal sentir folhas secas e pedaços de algodão a cairem por cima de nós...e apenas sorrir?...
Monday, June 25, 2007
Uma Instalação # 1

#1
Para se escrever tem de se estar quente, esquecer o mundo lá fora e atirar pólvora ao que fica dentro da nossa cabeça.
Tem de se desenhar e montar uma instalação como que se em nós houvesse um corredor, uma casa e vários quartos que se espalham a partir de uma raiz qualquer.
Imagino uma instalação pintada de um azul marinho fusco e algo brilhante... alguns pedaços de espelhos partidos e dispersos ao acaso nas paredes do corredor. Pedaços que se debruçam e acompanham o sentido de todos os passos, gestos e deambulações dos que passam.
Entre esses espelhos tiras de papel vermelho e letras a preto, onde nada se lê... são apenas pedaços de letras que também giram de acordo com as orientações do espelhos e que formam palavras. Pegamos nessas palavras agaixamo-nos e no pavimento de madeira freios e riscas castanhas pedem para ser contados. Encontramos números e oferecemo-los ao silêncio, para mais tarde serem usados...
Passamos a um dos quartos e ouvem-se batidas de repercurssão…relembramos o número decorado e aí encontramos o número de batidas, as que condicionam as badaladas dos relógios partidos que servem de post- its nas paredes. Nos vidros dos relógios partidos lêem-se mensagens com o vapor da respiração.
Alguém debruça-se num dos espelhos e expira levemente ...talvez tenha decorado demasido riscas e freios castanhos que não lhe saem da cabeça e um barulho insurdecedor das baladas inibe de ler mensagens.
Ao fundo e tão sozinho vê-se um canapé castanho decorado com cachecois de todas as cores. Alguém senta-se e aquece-se com um deles, azul e rosa. Fecha os olhos e fala com os relógios partidos.
Ouvem-se sinos e espanta espíritos... adormece-se com a luz vinda de fora que desenha no chão uma nuvem em forma de feição que fuma uma cachimbo.
É de manhã, as pálpebras abrem-se ao som de uma palavra passe imbuída na teia do sofá que pede para acordar.
As manhãs custam sempre a habituar e todas as coisas parecem ainda mais novas e estranhas do que aquelas com que adormecemos.
Levantar e explorar.
Sair de um quarto.
Observa-se o lado direito da ombreira da porta, entre o verniz da madeira veios de água escorrem até ao fim da porta e surrateiramente embebedam o chão e o tornam mais dócil.
Mais uma especie de corredor, uma parede castanha clara e decorada com fios de lã de todas as cores, pedaços maiores ou menores de fios que juntos nos dizem " Bem-Vindos".
A ouvir: Devlins: Waiting
É verdade que já há muito que não me deixada dormir, sonhar no meu sofá...fiquei presa nalguns lugares mais desassossegados...mas parece que me consegui libertar;)
Wednesday, May 30, 2007
Relembrando...
Estás aqui comigo à sombra do sol
escrevo e oiço certos ruídos domésticose a luz chega-me humildemente pela janela e dói-me um braço e sei que sou o pior aspecto do que sou
Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano e tudo o que faço ou sinto como que me veste de um pijama que uso para ser também isto este bicho de hábitos manias segredos defeitos quase todos desfeitos quando depois lá fora na vida profissional ou social só sou um nome e sabem
o que sei o que faço ou então sou eu que julgo que o sabe me sou amável selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavra se sei que afinal posso ser isso talvez porque aqui sentado dentro de casa sou outra coisa esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem de exterior a manifestação desta dor neste braço que afecta tudo o que faço bem entendido o que faço com este braço
Estás aqui comigo e à volta são as paredes e posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa e dizer aqui é a sala de estar aqui é o quarto aqui é a casa de banho e no fundo escolher cada uma das divisões segundo o que tenho a fazer
Estás aqui comigo e sei que só sou este corpo castigadopassado nas pernas de sala em sala.
Sou só estas salas estas paredes esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol
Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso diante dos dias.
Que ninguém conheça este meu nome
este meu verdadeiro nome depois talvez encoberto noutro nome embora no mesmo nome este nomede terra de dor de paredes este nome doméstico
Afinal fui isto nada mais do que isto as outras coisas que fiz
fi-Ias para não ser isto ou dissimular isto a que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome que não merda e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir uma coisa das outras coisas
Estás aqui comigo e tenho pena acredita de ser só isto pena até mesmo de dizer que sou só isto como se fosse também outra coisa uma coisa para além disto que não isto
Estás aqui comigo deixa-te estar aqui comigo é das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos tu és em cada gesto todos os teus gestos e neste momento eu sei eu sinto ao certo o que significam certas palavras como a palavra paz
Deixa-te estar aqui perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas
perdoa pagares tão alto preço por estar aqui perdoa eu revelar que há muito pagas tão alto preço por estar aqui prossegue nos gestos não pares procura permanecer sempre presente deixa docemente desvanecerem-se um por um os dia se eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer sou isto é certo mas sei que tu estás aqui
Ruy Belo
A ouvir: Anthony and the Jonhsons: "The Lake"
A ver...e a rever

Thursday, May 24, 2007
Apontamentos

O doce Largo do Carmo...
Acho que estou a precisar:
- Alcatifa de Estrelas
- Um origami lilás
- Sofá de Nuvens
- Sombra de uma árvore
- Ondas
- Brincar com folhas secas
- Pingas de chuva pela noite dentro
- Um poema de Vasco Gato
- Chá de baunilha e morango
- Adormecer na areia
- Dar à corda a uma caixa de música
- Dançar à luz de velas Beirut;)
- Mascarar-me com cortinados bordeaux e sorrir
- Juntar petalas perdidas e oferecer
- Ouvir o eco de vozes que se soltam
- Sentir o beijo de uma tecla de piano com uma corda de uma viola
- Viajar pela neve
- Um poema dançante
- Esquecer-me de todas as palavras e encontra-las numa música...
A ouvir: Hoje tento ouvir o mundo...tento ouvir o que tem para me dizer...
Wednesday, May 16, 2007
Last Goodbye
E quando mais nada resta ou o cansaço nos abandona a horas indevidas em lugares mais ou menos perdidos, quando um fechar de olhos traz lembranças de tardes quentes e bons finais de conversas, passeios a pé acompanhados de música, um bom banho de mar, um acenar a uma janela, cheiro a bolos quentes, restos de areia nos pes, toalhas molhadas, roupas leves, gargalhas sentidas e uma lua cheia que ao fim do dia se afoga comigo no mar...é bom fazer assim um ultimo adeus.... nada se chega a perder e uma memória doce cresce, torna-nos um pouco maiores e oferece o maior dos confortos.. o desamparo disfarça-se de todas as vozes que comigo falam...

A ouvir: Jeff Buckley "Last Goodbye"
Parece que sinto saudades da tarde de maçã da busiris e de todos os que me acompanhavam nessa tarefa;)..lol...beijinhos
Thursday, May 10, 2007
O Menino Zack

A ouvir..... BEIRUT
Nao me canso de ouvir e recomendo....
O menino Zack tem apenas dezoito aninhos...mas que sabe umas coisitas de música, sabe;)
Um post-it...

Tuesday, May 01, 2007
1º de Maio

Monday, April 30, 2007
E porque às vezes tudo o que apetece é dizer yeah!...
Yeah, yeah, yeah, yeah-yeah, yeah-yeah, yeah... yeah, hey, hey, hey, hey
Yeah, yeah, yeah, yeah-yeah, yeah-yeah, yeah... yeah, yeah-yeah, yeah-yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah, yeah-yeah, yeah-yeah, yeah... yeah, hey, hey, hey, hey...
Yeah, yeah, yeah, yeah-yeah, yeah-yeah, yeah... yeah, yeah-yeah, yeah-yeah, yeah
(...Everybody keeps on talking about it... nobody's getting it done I'm tired, tired, tired now of listening, listening... knowing that the ship's gotta run...
Everybody keeps on pushing and shoving... nobody's, got the guts You owe me ti-ti-time, now they're writing me in... I'm gonna act like I should...
Everybody keeps on listening in... Nobody listening up We've been try-try-trying now to let you in... And, you just got let in by their luck (?)
Everybody keeps on talking about it... nobody's getting it done Everybody keeps on talking about it... nobody's getting it done I'm tired, tired, tired now of listening, listening... knowing that the ship's gotta run, just gotta run... )
LCD Soundsystem: "yeah, yeah, yeah"
Tuesday, April 17, 2007
Perspectivas Perfeitas

Carta #2
...Cada vez tenho mais a certeza que as nossas mentes precisam de vozes quentes, suaves, engasgadas quando necessárias…vozes sublimes de fazer timbrar o universo pessoal de cada um, de fazer vibrar as águas, de encontrar pontos de fuga em perspectivas perfeitas...
Hoje enquanto esperava pelo comboio, sentia-me triste mas não aquela tristeza que não nos motiva a nada…esperava por algo que acontecesse e que o má sorte não o tivesse a impedir…Chovia...olhei para o chão branco da estação, estava sujo de terra, terra que se transforma em lama diluída por todo aquele branco e começei a desenhar com os meus sapatos naquela terra enlamaçada trazida pelos passos de outrem… começei a dar forma ao chão que hoje me parecia demasiado rígido, demasiado duro...e nós sabemos que precisamos e de quanto nos sabe bem um chão atapetado e almofadado aos nossos estados de espírito....
A ouvir: Damien Rice "9 crimes"
Thursday, April 12, 2007
O meu Velho Atlas...

Paulo Nozolino, fotografo
Monday, April 09, 2007
Há algum tempo...
#1 Carta Na verdade, o meu continuar a viver, tem voltado ao viver outra vez muito no meu mundo, com muitas reticências, sem grande paciência…deve ser influência desta cidade que tanto gosto e me trata assim.
Têm se passado coisas, e quando se passam coisas na vida de uma pessoa, a pessoa vai com coisas a mais, com coisas a menos, umas vezes alheada, outras parte de um projecto experimental.
A vida experimenta-nos, dá-nos saudades de termos muitas almas.
E difícil conviver com os carris que chocalham tanta terra...
Relembrando....A aspereza das estrelas
Não esqueças sobretudo a armadura a aspereza das estrelas
quando os olhos são recentes
e a gravitação é como um poder
sucinto na mãos.
Vasco Gato
Wednesday, April 04, 2007
Já é tarde...
Já é tarde, penso que estou a precisar de uma água fresca...na verdade preciso mesmo é de andar em bicos de pés e de adormecer como uma criança.
Gostava de ter por cima de mim, um daqueles artífices com estrelas penduradas e música, como os que existem em pequenos berços encantados...Puxava, soprava as estrelas, entrelaçava-as e fazia as dançar ao som de uma musica de corda…
Se algum dia os meus átomos reencarnarem que reencarnem numa caixa de musica…estarão sempre exercitados e saudáveis se lhes der à corda… e eu por vezes serei a bailarina…
Bailarina...não precisamos de saber dançar para sermos bailarinos. Quando caminhamos pelas ruas, quando sentimos as calçadas, sentimos milhares de rodopios nos nossos pés, rodopios confortáveis que instintivamente nos conduzem para um lugar que ainda não sabemos qual é, mas deixamo-nos ir.
É bom também o frio na cara, um lenço que nos agasalha e é bom mais uma vez respirar... é importante respirar, sentir o compasso do mundo que não podemos tocar mas que nos permite sobreviver.
A ouvir: Bang Bang "It´s allright"
Psapp "Tiger, my friend"
É uma boa menina...
by Andres LokkoStockholm, July 2004
Monday, April 02, 2007
Visitar uma luz turva...

Coisas....
Sáo coisas...nada como esta musica dos ornartos para definir "coisas"...aquelas que acontecem, desaparecem, que ficam por dizer, por fazer... há coisas que são mesmo só coisas...e houve vezes em que finais de tarde se tornaram muito mais bonitos...são só coisas...
Leva qualquer eu a meu dia
Dá-me paz eu só quero estar bem
Foi só mais um quarto uma cama
No meu sonho era tudo o que eu queria
Quando alguém deixar de viver aqui
Espera que ao voltar seja para ti
Nada vai ser fácil
Nunca foi
Quando alguém deixar de te dar amor
Pensa que há quem viva do teu calor
Hoje é só um dia
E vai voltar amanhã
E não foi assim que o tempo nos fez
E fez assim com todos nós
E não foi assim que a razão nos amou
E fez assim com todos nós
São coisas São só coisas
Se uma voz nos diz que é viver em vão
Pra que raio fiz eu esta canção
E se o fim é certo
Eu quero estar cá amanhã
E não foi assim que o tempo nos fez
E fez assim com todos nós
E não foi assim que a razão nos amou
E fez assim com todos nós
São coisas São só coisas
Eu estou bem
Quase tão bem
Vê como é com voltar a dizer
Eu estou quase a viver
Thursday, March 29, 2007
A Lua de Bright Eyes...
Que tal acordar com esta música? ;)...
I know that it is freezing, but I think we have to walk
I keep waving at the taxis, they keep turning their lights off
But Julie knows a party at some actor's West side loft
Supplies are endless in the evening by the morning they'll be gone
When everything is lonely I can be my own best friend
I'll get a coffee and the paper, have my own conversations
with the sidewalk and the pigeons and my window reflection
The mask I polish in the evening by the morning looks like shit
And I know you have a heavy heart, I can feel it when we kiss
So many men stronger than me have thrown their backs out trying to lift it
But me I'm not a gamble, you can count on me to split
The love I sell you in the evening by the morning won't exist
You're looking skinny like a model with your eyes all painted black
Just keep going to the bathroom, always say you'll be right back
Well, it takes one to know one, kid, I think you've got it bad
But what's so easy in the evening by the morning's such a drag
I got a flask inside my pocket, we can share it on the train
And if you promise to stay conscious
I will try and do the sameWe might die from medication, but we sure killed all the pain
But what was normal in the evening by the morning seems insane
And I'm not sure what the trouble was that started all of this
The reasons all have run away, but the feeling never didIt's not something
I would recommend, but it is one way to live
Cause what is simple in the moonlight by the morning never is
It was so simple in the moonlight now it's so complicated
It was so simple in the moonlight, so simple in the moonlight
So simple in the moonlight...
Duas coisas...

Wednesday, March 28, 2007
Uma audiência assustada...

Tuesday, March 27, 2007

Peça de teatro
Nova Orleães, um crime, a procura de um assassino. Três plataformas que se agitam de acordo com a necessidades dos actores. Luzes suaves e vestidos vintage.
Não há palco, há um espaço central e entre os públicos opõem-se olhares. Não sei se desta vez decidirei roubar a vida dos outros, hoje não me apetece debruçar em rostos, olhares e pensamentos alheios.
Doris, Charles, Gary, Olga, July...e uma criada que canta Summertimes.
Um candeeiro com cristais que pouco reluzem no abajou.
Acedem-se e apagam-se luzes, geram-se contrastes no nada que não é novo.
“Na imensidão do Mississipi esconde-se uma vastidão de segredos”
Ida ao médico…sonhos horríveis, recordações de uma dama de olhos fechados, gargalhadas e dos tempos de Bolshoi. Termina a dança e há quem tenha culpa por ter prazer…
Duas almofadas e um espelho, a bailarina embriagada canta ”a vida é um carrossel e um amor um folha ao vento”…
MOMENTO II
Definição de Beijo: Devolução, recriação e criação da sensação produto do processo interior gerado pelo comportamento afável ou ternurento de outrem.
MOMENTO III
Voltei a roubar vidas, fotografei um menino peruano que sorria enquanto jantava.
MOMENTO IV
Noite fria, uma noite pertencente a um dia ao qual impuseram mais uma hora…e um pouco mais de tempo que derruba a imprevisibilidade aparentemente balizada em 24 horas…
Uma mesa para quatro lugares… uma mesa de pedra cinzenta, fria e rugosa à palma da minha mão.... pequenos cristais parecem pedras de gelo que brilham no meio de um cinzento implacável e mudo…parece que por vezes os estilhaços ganham beleza.
As folhas de papel tentam cerrar com a ajuda do vento o que escrevo. Talvez me devesse mesmo vedar às palavras, mas olhar para páginas em branco e nada escrever é como que partir em forma de abandono.
Tenho as mãos muito frias mas tento como que docemente que estas linhas impregnem o papel…e lembro-me de muita coisa. Precisava de falar, de dizer coisas, de ouvir coisas…as coisas de noites de luz suave e laranja, de cadeiras castanhas, despojadas e genuínas ao sentar…lugares com cheiro a poesia…
Reparo que nunca faço pontos finais…e nas minhas reticências dou conta que o silêncio é uma das melhores armas para a prisão. O silêncio e a maior fonte de hipóteses, sugestões, ideias, incertezas, devaneios… como que construissemos um segredo que nos pertence.
Tuesday, March 20, 2007
Lembraram-se de nós...e nós queremos é musica...

"Ginginha com tal virtude é dificil de encontrar..."
Parece que afinal os artistas conseguiram nos encontrar e todos ao mesmo tempo....
No mesmo ano Cibelle, Bloc Party, Arcade Fire, Interpol, Maximo Park, Lcd Soundsystem, Andrew Bird, Cocorosie, Yann Tiersen, Magic Numbers....(é por isso que se calhar ja se vendem bilhetes para o sudoeste sem haver cartaz....)
Sim, estamos aqui ao cantinho e de ouvidos bem abertos;)....e esperamos pelos artistas...
A ouvir: Magic Numbers "Anima Sola"
E verdade PJ se me estiveres a ouvir, aproveita e aparece também;)
Friday, March 16, 2007
Haviam...."Palavras"...
Havia alguém que fazia contas de somar e subtrair com os traços brancos da estrada.Havia alguém que fazia rimas métricas com as feições dos desconhecidos
Havia alguém que escrevia todas estas coisas sobre as “As Palavras” de Sartre, usando o livro como base para a firmeza de uma folha de papel e uma caneta. Um livro oferecido por alguém que tinha descoberto uma herança bondosa. Uma oferenda num sítio de passagem, num dia de Inverno e com telescópios que definiam estrelas…
Havia alguém que ouvia Perry Blake e recitava poemas.
Havia alguém que caminhava ao ritmo da queda do sol e ouvia musica enquanto o mar lhe rebentava nos pés e acordava o corpo.
Haviam desencontros, pessoas longe e que permaneciam tão perto.
Haviam palavras que nunca preenchiam os dias, talvez por serem demasiado curtos ou longos para que neles se pudessem deleitar.
Haviam discos riscados que faziam prender segundos de sons que já não se queriam ouvir.
Havia alguém atrás de uma secretária que falava de livros, cidades, profissões e surrealismo.
Havia um pisa-papéis com gotinhas de água dentro e um candeeiro com um alfinete de dama.
Havia uma caixinha azul oferecida que fazia recordar bons momentos e um cubo desdobrável de fotografias de Helsínquia, três elefantes de madeira e uma lua quadriculada.
E há sempre alguém que dança e alguém que sonha.
A ouvir: Perry Blake "Still Lives"
Um beijinho para a Isabel ;) ...
Wednesday, March 14, 2007
Só faz bem e não faz mal....
Uma cósmica tarde de Domingo no Chapitô....;)Ferver todos os ingredientes por cerca de 10 minutos até que os sabores sejam extraídos para o vinho. Sirva de preferência em canecas de barro e bem quente.
A ouvir: Remy Zero "Fair"
Friday, March 09, 2007
Um cardápio

Numa sexta feira como esta, preciso de:
- um poema para uma lua
- apontamentos de viagens em papel de arroz
- a sombra de uma árvore
- flor de laranjeira para adormecer
- ser responsável pelos crepúsculos
- oferecer pétalas de flores a todos os desconhecidos
- engasgar-me de trovões
- apreciar estrelas
- imaginar nuvens
- soprar as marés
- pegar fogo ao sol
- entreter-me com alturas
- engolir todas as palavras e escrever ao mundo...
A ouvir: Cocorosie: "Terrible Angels"
Thursday, March 08, 2007
Lembram-se?...Release me....
I see the world.
Feel the chill.
Which way to go? Windowsill.
I see the words on a rocking horse of time.
I see the verse in the rain.Ohh.
Oh, dear dad can you see me now?
I am myself like you somehow.
I'll ride the wave where it takes me.
I'll hold the pain. Release me.Ohh.
Ohh I... Ohh. Ohh.
Oh, dear dad can you see me now?
I am myself like you somehow.
I'll wait up in the dark for you to speak to me.
How I've opened up. Release me.Release me. Release me dad. Release me.
Ohh. Ohh I... Ohh. Ooh. Ooo.
Pearl Jam...bons e velhos tempos....
Wednesday, March 07, 2007
A scenic world
the lights go on
the lights go off
when things don't feel right
i lie down like a tired dog
licking his wounds in the shade
when i feel alive
i try to immagine a careless life
a scenic world where the sunsets are all breathtaking
Beirut...obrigatório ouvir...
Uma aguarela...

Numa noite em que perco o rosto, tento compreender o céu, encontrar pedras de calçada onde me firmar.
Há noites inesperadas, encontros que esvoaçam em diferentes aguarelas que se diluem nalgum lugar, longe de nós, onde o silêncio ainda não conseguiu chegar.
Há noites em que são revelados nomes e mundos interiores, em que se borram ideias, em que se desvanecem todas as primeiras palavras e permanece apenas uma poesia nua e distraída ao olhar.
Wednesday, February 28, 2007
Um castelo para uma lua...

Um olhar num espelho, uma íris particular vê um bobo de si mesma.
Baixa os olhos e sussurra imagens, lança com o calor da sua voz fogo ao artifício de si mesma.
Dá um passo e afasta-se do espelho. Senta e recorta-se em pedaços de madeira, experimenta a sua própria seiva. Desamarra as cordas que tal como amarram piões prendem os seus rodopios aos murmúrios e ideias nocturnas.
No fundo tem sorrisos encadeados que se estendem em acordeões de sentimentos.
A ouvir: Isobel Campbell and Mark Lanegan "Saturday´s Gone"
Lilac Wine
27 de Fevereiro de 2007. Sete e meia da tarde. Rato. Sinal vermelho. Na radio...nina simone...lilac wine... e agora Jeff Buckley...
Lilac Wine...
I lost myself on a cool damp night
I gave myself in that misty light
Was hypnotized by a strange delight
Under a lilac tree
I made wine from the lilac tree
Put my heart in its recipe
It makes me see what I want to see
And be what I want to be
When I think more than I want to think
Do things I never should do
I drink much more that I ought to drink
Because it brings me back you
Lilac wine is sweet and heady,
Like my love
Lilac wine, I feel unsteady,Like my love
Listen to me,
I cannot see clearly
Isnt that she, coming to me
Nearly here
Lilac wine is sweet and heady,
Wheres my love
Lilac wine, I feel unsteady,
Wheres my love
Listen to me, why is everything so hazy
Isnt that she, or am I just going crazy, dearLilac wine,
I feel unready for my love
Feel unready, for my love.
Friday, February 23, 2007
Um instante de dois....


Thursday, February 22, 2007
Intimidade das horas...

Em que a noite ao parir a lua
Derrama estrelas
E mascaramo-nos com a morte do tempo
Aconchegamo-nos em cobertores
Afagamos a noite com a mascara da serenidade
Tudo parece próximo
E não há lágrimas que se perdem
Mas lágrimas que sorriem
A horas indevidas, a horas intimas
Existem lugares que são marimbas
E Flautas mágicas que embriagam a vida
Existem momentos que apenas são momentos
E o sangue, o sangue circula intimamente como a luz no escuro
A ouvir: Jeff Buckley " Lilac Wine"
Uma arpa...
Sonhei que tinha uma arpa e que a tocava para a minha cidadeSonhei que alguém ouvia, se comovia e se deixava perder nas ruas...
E as nuvens negras que se tocavam continuavam a esconder o som da chuva...
A ouvir: Sufjan Stevens " For the widows in the paradise..."
Tuesday, February 20, 2007
A ouvir...
Nem que fazer planos em papel,

A ouvir: Margarida Pinto " Na véspera de não partir..."
Tuesday, February 13, 2007

Friday, February 09, 2007
O mundo inteiro...
Porque há anseios que querem ser sonhos e apontamentos que querem ser músicaPorque o mundo não quer ser redondo, mas quer ter a forma de eternidade
Porque há estradas sem viagens
Vidas sem nome e palavras com poesia
Cemitérios de erros onde a memória é amante do esquecimento
Porque por vezes tudo o que apetece é ter uma flor em vez do coração
Viver à luz da sua cor quando essa cor se torna o nosso chão
E porque existem desejos que são perfeitos
Levo o meu mundo em busca do mundo inteiro.
Monday, February 05, 2007
Simples, intenso, bonito, arrepiante...Algo que gostava de partilhar...
Vale bem a pena ver também os ultimos nove minutos de sete palmos de terra...
Sunday, February 04, 2007
Domínio das Coisas Esquecidas...

Nunca esquecer o domínio das coisas esquecidas.
Um conselho.
Uma duvida.
A quem pertence o domínio das coisas esquecidas?
Respostas.
Falta de respostas.
Nunca esquecer o domínio das coisas esquecidas.
Recordam-se quando as pensamos ter como esquecidas.
Faltam-nos quando as pensávamos lembradas.
Viajam num domínio onde queremos ter um lugar.
O domínio das coisas esquecidas.
Uma dúvida.
Onde está o domínio das coisas esquecidas?
Respostas.
Veios das calçadas.
Dedadas nos espelhos.
Serpentinas rasgadas.
Bolas de sabão desfeitas no ar.
A lama que sobrou nos sapatos.
Falta de Respostas.
Nunca esquecer o domínio das coisas esquecidas.
Um conselho.
A ouvir: Devendra Branhart "Autumn´s Child"
Thursday, February 01, 2007
Um lugar perto...
Sempre pensei ser fácil escalar, subir e descer montes em busca de uma qualquer parte do mundo.Da minha janela e aos meus cinco anos, calculava atravessar fronteiras em dez minutos.O mundo era um lugar perto. Apercebi-me que o mundo continua a ser um lugar bem perto e a vida um lugar bem longe....
A ouvir: PJ Harvey: Send his love to me
Monday, January 29, 2007
A ouvir...
O regresso dos Bloc Party...eles têm mesmo "quelque chose"..."Weekend in the City foi inspirado pelo interesse do vocalista Kele Okereke naquilo que chama “o barulho vivo da metrópole”...
Para mim, o que marca mesmo os Bloc Party é a autencidade e descarga energética com que fazem música e é isso que faz com que a música por eles tocada, tenha mesmo uma vida e linguagem própria.
Parece que captam mesmo todos os "barulhos vivos" ..e eu já tinha saudades de ver garra a revirar o quotidiano...
Obrigatório ouvir...
Sunday, January 28, 2007
A tela dos lençóis...

Uma cama feita com lençóis com poemas escritos à mão.
Lê cada poema, fui eu que escrevi. Lê devagarinho, tens todo o tempo, mesmo antes de me afeiçoares ou me dares um beijo, lê…foram escritos para ti.
Roubei ao mundo para te dar. Colhi tudo o que pude ver.
Tornei como meus os cardápios, passagens em calçadas, avisos puxados por avionetas, pedaços de jornais, símbolos, fotografias, marcas deixadas pelas solas de sapato, o tempo nos relógios, o barulho das máquinas de café, a chuva, as partículas de pó que iluminadas pelo sol formam os seus raios, as faces da lua, pétalas, poças de água e todos os grafismos que são deixados nas paredes da cidade…
Impus aos meus sentidos tudo o que por mim passava e tudo passei a limpo para poemas que esperam nos lençóis por ti.
Sim, escrevi em poemas, pois penso ser a forma mais bela de roubarmos ao mundo e devolvê-lo a alguém, a quem quer que seja.
Não fosse a beleza, não deixaria que as manhãs me coagissem para mais um dia…um dia agendado sem data, para um qualquer regresso.
E se puderes e encontrares algum espaço em branco na tela dos lençóis, faz por me lembrar que passaste por cá.
Acomodar-me-ei às tuas palavras.
A ouvir: Bright Eyes: Don´t Know When but a Day is Gonna Come
Thursday, January 25, 2007
Com um pedaço de pano...

Uma casa e uma árvore construídas pela rugosidade do tempo.
Uma janela traz a clareza para respirar e de um cortinado faço um pano para colorir as violetas que lá fora rasgam a terra.
Tenho também uma cadeira que faz de baloiço, onde me costumo sentar e de vez em quando vendo os olhos e solto as palavras que fogem pela escuridão das pálpebras.
Não tenho muitos objectos em casa, tenho manchas de todas as cores e essências e com o céu faço um tapete azul onde me estendo.
Tenho um cesto onde guardo truques e todas as oferendas perdidas e achadas em viagens.
E lá fora, um estendal onde se penduram pedaços de nós colhidos em frases e se estende o charme guardado num bolso para o mundo.
No jardim uma pá de areia para construir ideias, moldadas pela verdade e transparência das palmas das mãos que de tão encobertas são tão luminosas.
A ouvir: Brian Kelly "She is dancing"
Tuesday, January 16, 2007
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oki, agora divirtam-se...ou entao não;)...
A ouvir: Stina Nordenstam "Parliament Square"
Friday, January 12, 2007
O Parto de Uma Viola

Parece que hoje o crepúsculo baixa à Terra, move-se entre árvores e campos e pinta telhados.
Pinta telhados e bofeja as casas de entradas que delas não se desamarram, tal casita clara de sete portas e três janelas que se dilui na paisagem.
Dentro da casita, uma viola dá à luz, pariu a natureza em forma de sons... nasce um pato, um violino e um insecto.
Nos campos cavaleiros continuam a percorrer o mundo, continuam a ser perseguidos pelas formas e cores desfiguradas pela velocidade da viagem... os musculos contraem-se e esmagam sangue.
E a casa...a casa, perpetua a construção de tentáculos que abraçam castelos, pontes, entradas...tentáculos que libertam montanhas.
" A arte tal como a sinto é um produto emotivo da natureza." " Ninguém deixa de fazer uma obra de arte intensa por falta de técnica mas sim por falta de intensidade" Amadeo de Souza-Cardoso
Uma tarde de escrita com o Next- Art na exposição de Amadeo Souza-Cardoso...
A ouvir: Cibelle "Arrête Là, Menina"...que bem que me soube ouvir no planeta 3, no domindo à noite, regresso a Lisboa
Saturday, January 06, 2007
O albergue das coisas...

Sirius...Sirius é a estrela que mais brilha… no Egipto há 3750 antes de Cristo, alinhava-se com a estrela Canopus no rumo Sul ao centro da Via-Láctea exactamente às 24 horas sobre as Pirâmides de Guiza. E até os dias de hoje, anuncia um novo ano...
Apesar de esta luz não ser esta a estrela de Sirius e apenas resultado da má definição da câmara de um telemóvel… foi uma luz brilhante, confortável, construtiva à chegada dos nossos passos numa das noites viajante pelos dias do ano que passou... ou melhor dizendo do ano que continua…a natureza é movida por ciclos e continuidades…
“ O céu e a terra são o albergue da passagem de todas as coisas. O tempo é o hóspede em trânsito de todas as gerações. Que alegrias podemos ter se flutuamos na vida como um sonho?
“Compreendi que o passado não pode ser corrigido mas sei também que o futuro pode ser bem aproveitado. Na realidade o caminho em que me perdi não era muito longo. Sinto que hoje estou certo e ontem estava errado”…
“ Se alguém houver que não seja capaz de escrever um poema terá de ser castigado segundo as regras do Jardim Jin-Gu, pagando uma multa de três copos de vinho”…..
(Jardim Jin Gu- um jardim onde se organizavam banquetes para os convidados comporem versos.)
Saturday, December 30, 2006
Metamorfose Ambulante

Este o meu photomaton de 2006.... onde ficaram registados alguns momentos pela mão das mais engenhosas objectivas...
E sendo o ano o espaço de tempo que a terra gasta numa translação completa ao sol... a medida de tempo ficticiamente criada para nos orientar ou desorientar a vida, o que é certo e que para trás ficam 365 dias...para mim faria mais logica festejar ciclos naturais e ceder às boas festas pagãs...;)
À parte disso, o que desejo para todos e nas palavras da musica de Raul Seixas, é que sejam umas verdadeiras metamorfoses ambulantes...que é o que tento mais ou menos ser...;)
Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator
É chato chegar a um objetivo num instante
Eu quero viver essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Como o que gosto é mesmo de música( não que me dêem musica), para mim a mãe de todas as artes...aqui deixo alguns temas de 2006, que fizeram parte da minha banda sonora pessoal:
- Lovely Night- Richard Swift (fantástico album...)
- A crush in the ghetto- Jolie Holand ( todas as faixas são excelentes)
- Snakes and Martyrs -TV on the radio
- Incinerate- Sonic Youth
- Losin´you- Amy Millan
- BEIRUT (muito bom....é tão coerente que faz sentido ouvir todas as faixas)
- Lost and found- Clap your hands (grande surpresa também...)
- Dead Funny- Archie Bronson Outfit
- Dance with me- Nouvelle Vague
- Phoenix- Cibelle ( gracioso album)
- Stephin Merrit, pela forma como sabe brincar com a musica...
- Crosses- Jose Gonzales
- Da uma da noite às oito da manhã- Naifa
e porque muitas vezes me ajudou a acordar - Love Like Semtex- Infadels...;)
a intemporalidade de Nina Sinome, Sia, Jesus and Mary Chain, Cure, Smiths, Jeff Bucley, dEUS, Pj Harvey e Morphine...entre tantos outros que nos fazem lembrar... There is a Light that never goes out...E continuem a refastelar-se no meu sofá...é sempre um prazer...
Thursday, December 21, 2006

Natal…
Mês de Dezembro, mês doze, ultimo mês do nosso calendário…O Inverno torna-se mais robusto e o frio passeia-se connosco nas ruas…e sabe bem sentir alguma aragem fresca no rosto e o agasalho quentinho no corpo…
Não me recordo de ter acreditado alguma vez no Pai Natal, acho que sempre percebi que os presentes eram postos pelos meus pais e avós, e o mais engraçado e que não me sentia minimamente mal com isso, dava-me à mesma aquele nervoso miudinho...e quando via alguém vestido de Pai natal, não sei bem porque sentia uma certa dose de respeito, é como que em certa altura ele tivesse de facto existido e agora necessitasse de ser lembrado, tal como as grandes figuras históricas e religiosas e quando alguém me dizia que existia, eu aceitava porque pensava que era uma dessas demostraçoes de respeito…à parte disso houve um ano que Um Pai Natal me deu imenso jeito…perdi-me numa festa de Natal e o Pai Natal pôs-me a cantar no palco o "Atirei o pão ao gato” para ver se os meus pais me viam….no fim ainda tive direito a um careca! A seguir à estação de serviço de carros com elevadores do meu irmão e ao caleidoscópio, era o meu brinquedo preferido, normalmente acompanhado dos "coitados" sapatos de verniz da minha mãe que tantas vezes estraguei o salto…era uma pequenita senhora, ia de acordo com as minhas supostas funções futuras…;)
Bom, à parte de tudo isto e não querendo ser um lugar comum, incomoda-me mesmo esta confusão toda, a correria instalada da busca ao presente perdido…incomoda-me ver todos os sítios apinhados de pessoas, sacos e carros …
Por isso o que desejo mesmo foi algo que já perdi um pouco: o doce cheiro a Inverno, a presença bonita e tímida das luzes da arvore de natal, o aconchego das pessoas que mais gostamos…isso sim, sabe bem…se quiserem aproveitem e façam um miminho a alguém que realmente gostavam de fazer, porque sabem que ira mesmo gostar do “tal”presente…
A ouvir: Danças Ocultas
Tuesday, December 19, 2006
Ao pensamento...


Pinturas de Cátia Monteiro
"A nossa cabeça é redonda para permitir ao pensamento mudar de direcção." Francis Picabia .... Frase recebida no mail/newsletter de desejo de boas festas da Editora 90º, de Susana Vazquez...um muito obrigado....
A ouvir: Jeff Buckley "The boy with the thorn in his side" (cover Smiths)....muito bom...ao bom gosto de Jeff Buckley...
Wednesday, December 13, 2006
I´m caught in the flow of things...
deus- Serpentine
I'm caught in the flow of thingsLets do it serpentine any time Lets do it right here
It is bad that you're good for me
Let's do it serpentine, any time Let's do it right here
There's a cute little litany
Got my clockwork company
Monday, December 11, 2006
Fechaduras que brilham...

Soltar Palavras
Soltar circunstâncias
Sentir o brilhar das fechaduras
Das portas que mesmo assim se fecham
São Lugares que se comprimem demasiado
Num dicionário não decifrado
Paisagens muito acima da nossa visão
Cadeiras muito gastas no alojamento do corpo
E assim por vezes
Pequenas lâmpadas demasiado sensíveis ao toque
Apagam virtudes e chamas
Acedem rastos de noites
De trilhas com gente
Em que os valores fomos nós
Em que bastou uma mesa, um abraço, um beijo
Em que se perdeu a divisória para a realidade
E no desvanecimento, numa protecção despojada
Uma lembrança até hoje.
A ouvir: Iron and Wine: Such Great Heights
Wednesday, December 06, 2006
Frases Justas...

É com muito gosto que deixo aqui algumas Frases Justas, que segundo o mail que recebi... "uma lista de frases fantásticas que preencheram o espaço "Eu manifesto" (para quem não esteve na festa Bio Pop organizada pela Cores/Comércio Justo no dia 25.11 no Crew Hassan, tratava-se de um espaço com um papel de cenário afixado na parede, onde se podia escrever à vontade com marcadores).
Devo dizer e com orgulho que algumas são de minha autoria e da minha amiga Catia, (essa grande artista de variedades) especialmente inspiradas por uma bebiditas justas...e mais uma vez, não se esqueçam..."Ouçam Morphine...é justo" ( como já nao me lembrava que o tinha escrito, achei lindo...) o ultimato da Cati ao Bubu é fantástico...
Eu manifesto... (recolha de manifestos livres, registados no papel de cenário)
- Unidos seremos Pop
- 25 Abril sempre (ao lado de um desenho de um cravo vermelho).
- Onde está o Amazónia Livre?!
- Lindos, loucos, livres (grafiti encontrado em Santarém)
- Não queremos caridade, queremos justiça.
- Militem contra a extinção dos indios verdes! O nosso ultimo reduto de ligação À Natureza!
- Nos Organobios Vos (dentro de um coração)
- Rooibos
- Nós queremos tudoSou pop! (balão a sair de um boneco)
- Peace and Love (ao lado de um símbolo da Paz)
- Curti bué a feijoada Bio, quero comidinha assim todos os dias. ass. a gulosa
- Carmona Rua!
- Dia Sem Compras - 25-11-06 Tempo de reflexão. A vida é para ser vivida como quem vive para sempre como quem não viverá mais. Salomé.
- Tod@s bio, bio paa tod@s
- Carmo
- A Ligia é fixe!
- J.P Bio(grapho) Bio-amigo
- A cidade a quem a vive.
- L'homme habite en poete.
- Viva a 10ª internacional: anarquistas pelo coração, trotskystas pela razão.
Imbambas. Paço d'Arcos - Volta Nonó!
- A Cores é fixe!!
- O Bubú é fodido, mau como as cobras. Que se foda. Cátia Nortenha.
- Bio Pops de todo o mundo, uni-vos
- Há sempre pedaços de terra por pisar e pedaços de nuvem por chover...
- Quelque chose...
- Eu exijo, tu exiges, nós exigimos
- Nadi Cati Ani
- Quelque chose. Há sempre quelque chose por fazer, por dizer, por viver... (comentário em baixo: Faz! Diz! Vive!)
- Faltam as POP corn e talvez tudo podesse ser mais POPular, mas a POPulação é do melhor e só me resta dizer POP!
- Quiz, 4ª na BARRACA
- Na falta de tendÊncia natural olhar sempre para o mano 'Hugooo'
- Algarvias primo pedro
- Quelque chose. Há sempre alguém que nos diz pensa bem aprende sente e mais quelque chose!
- Bio diversidade. Bio diversão. Pedro
- Pensa e vive a vida da melhor forma e como a sentes.
- Ouçam Morphine... é justo.
- One solution, Revolution.
- Cati, és liiinda
- Nadi, adoro-te (a sair da boca de um gato, o qual por sua vez tinha uma legenda: miau da Nadi - Ginja e Miucha)
- E ainda: o símbolo Yin/Yiang, o símbolo da paz, o símbolo da anraquia, uma flor, um sol, e duas mioudas, vagamente parecidas com activistas da Cores, e com legendas como 'ganda pop' e 'gancho pop'.
A ouvir: como não poderia deixar de ser....Morphine...
Thursday, November 30, 2006
Da uma da noite às oito da manhã
E porque amanhã,os Naifa irão actuar no Teatro Maria Matos... e porque esta foi uma das músicas que neste ano mais soou na minha banda sonora pessoal ...e porque a acho intensa, despojada, sensível... E porque três minutos antes de a maré encher por vezes ficamos presos em "plenas capicuas", sendo-nos dificil sobreviver a um "coração míope".... porque a "verdade apanha-se com enganos"

Da uma da noite às oito da manhã a mulher tem as mãos
Entaladas no parapeito da janela.
O marido agarra o estrado com os olhos
Dorme sem almofada
A empregada que vem passar a ferro
Tem uma intimidade na ficha do despertador
Entra às oito da manhã.
A empregada entala os pés do homem
Nas grades da cama.
Liberta a senhora
Fecha a porta do quarto à chave
Deita-a para uma cascata.
Mário Cesariny...


Uma poesia pura, em que cada palavra tem uma carga genuína, fraterna com o sonho e liberdade do mundo interior...
Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas,que esperam por nós
E outras frágeis,que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens,palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras,surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.
Pastelaria
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo:
fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
Tuesday, November 28, 2006
Inverno...


" O Inverno é o estação do frio; não só o frio que enregela os animais, mas também o frio de cujo significado profundo e interior nos apercebemos apenas em raros de momento de medo ou de solidão (....) Apesar das carambolas, mochos, águias e aves aquáticas, a poesia do Inverno e sobretudo a poesia da imobilidade e do silêncio"
Parece que chegou mesmo o Inverno...ja tinha saudades...adoro dias extremamente frios e de ceu completamente limpo...os dias que só se conseguem mesmo de Inverno... quando chego a este mês e por ser a estação em que nasci, construo sempre uma rebobina do que se passou e há sempre tanto por fazer....mas como diria Vila-Matas "A vida é demasiado breve para se viver o número suficiente de experiências: é preciso roubá-las..."
A ouvir: The Jesus and Mary Chain " Come On"
Monday, November 27, 2006
Sobremesas...

Do Acidente e da Culinária…uma descoberta feita numa das prateleiras do Crew Hassan, que mais uma vez acolheu uma festa do comércio justo no passado Sábado…
Embora nos tenha sido difícil de imediato descortinar o titulo curioso e a intenção do livro, uma coisa é certa….as ilustrações de João Cabaço estão fantásticas…
Esta foi uma das ilustrações, em que a ingenuidade dos traços agarram o olhar…uma enorme mancha negra preenche o espaço, uma mancha em forma de guarda-chuva, em forma de noite, em forma de sombra, em forma de um contraste que muitas vezes e de forma única preenche o que há a preencher…
Do acidente e da culinária…. Ouvi dizer que o talento é uma maravilhosa sobremesa…
A ouvir: Clap your Hands Say Yeah: Over & Over Again (Lost and Found)
Tuesday, November 21, 2006
Raios Cúbicos e Rodas Gigantes...

Um cansaço,
um abandono de palavras
simétrico ao desamparo do tempo
por vezes é o que basta
falas-me de réguas ou geometrias variáveis
raios cúbicos
rodas gigantes
e eu não entendo
o meu cérebro prensado como uma tábua de salvação
arrisca dizer que te ama
Estas repousado num girassol que persegue o sol,
Mascaras-te de luz, crias poemas que eu não leio.
A ouvir: Girls in Hawai " The Fog"
A Prisão e Paixão de Egon Schiele...

"A esta hora em que a noite é uma seringa partida. A esta hora em que os pulmões são de seda e o sangue circula muito devagar. Eu não estou.
Pode ser a chuva numa esplanada ou, ao invés, o carro que trava o tempo da primavera. Não importa.
A noite é uma especiaria que acende os corpos.
Há três dias que durmo desordenadamente. Transpiro e acordo e vejo casas que são desdobramentos da minha própria casa. A verdade é que preciso de ti para um poema. Preciso que te passeies por uma dessas casas, que te sentes, que te deites. Preciso olhar para ti durante 27 segundos"....
Um dos livros mais bonitos de poesia....Vasco Gato in Prisão e Paixão de Egon Schiele...
E perguntou...

"Quem consegue desligar-se do mundo e sentar-se comigo no meio de nuvens brancas?"
Han- Shan in Vagabundo do Dharma
Manhole- Arte de decorar tampas de esgoto
Alguns momentos...
Monday, November 06, 2006
1933...

Ano de 1933…
…No ano em que o Parlamento Alemão é incendiado por um louco holandês, em que Adolf Hitlher chega ao poder na Alemanha, em que é criado o avião Boieng 247, e acontece a primeira micareta do mundo em Jacobina Bahia…
… No ano em que o premio Nobel da literatura e paz vão directamente para Ivan Bunin e Norman Angell, em que quase é editada a “Ideologia Alemã” de Marx e Engels…
…No ano em que nasce Siza Vieira, Ary Fontoura e a Yoko Ono…
….Nasce também a 13 de Setembro de 1933, a minha avó…
Quis lhe tirar uma fotografia especial…queria que fosse o mais natural possível e não uma simples postura para a objectiva…mas também não queria apanhá-la desprevenida, como dantes, quando em pequena a apanhava em combinação…eu sempre achei romântico e bonito alguém de combinação; quando olhava para a minha avó, imaginava-a em salões acompanhada de cavalheiros ou então imaginava-a na praia, a banhar-se com tais românticas vestimentas…Acho que nunca tive tempo de lhe explicar o que via…como é óbvio, zangava-se antes de qualquer justificação…
Foi então que no outro dia, ao apanha-la na hora certa, convencia-a à experimentar o espaço com a mão…é a Mão da minha Avó… a mão que protege a objectiva do sol para não queimar a fotografia e que absorve um pouco do seu calor para me dar...
A ouvir: Tom Waits: “I´m still here”
E mais uma vez relembrando...
“A luz irrompe em lugares estranhos, nos espíritos do pensamento onde o seu aroma paira sob a chuva; quando a lógica morre, o segredo da terra cresce em cada olhar e o sangue precipita-se ao sol”
Excerto de “A Luz irrompe onde nenhum sol brilha”
In “A Mão ao assinar este papel” de Dylan Thomas
(…) É impossível saber quando cairá o crepúsculo, impossível enumerar todos os casos em que o consolo se fará necessário. A vida não é um problema que pode resolver-se dividindo a luz pela escuridão ou os dias pelas noites, mas sim uma viagem imprevisível entre lugares que não existem. (…)
(…)“ Decido encher todas as minhas páginas em branco com as mais belas combinações de palavras que seja capaz de engendrar. E depois, porque quero assegurar-me que a vida não é absurda e não me encontro só sobre terra, reúno-as todas num livro e ofereço-o ao mundo. Este, retribui-me com a riqueza, a glória e o silêncio. (…)
Faça o que fizer, poderia muito bem fazer outra coisa. Não é isso que importa. Importa é saber-se livre como qualquer outro elemento da criação. Importa é saber-se um fim autónomo, que repousa em si mesmo como uma pedra sobre a areia (…)
(…) Mas onde está hoje a floresta na qual o ser humano prove de que pode viver livre, e não limitado pelos rígidos moldes da sociedade? Sou obrigado a responder: em parte alguma. Se desejo ser livre, é por enquanto necessário que o faça no interior desses moldes. Sei que o mundo é mais forte do que eu. E para resistir ao seu poder só me tenho a mim. O que já não é pouco. Se o número não me esmagar, sou, também eu, um poder. E enquanto me for possível empurrar as palavras contra a força do mundo, esse poder será tremendo, pois quem constrói prisões expressa-se sempre pior do quem se bate pela liberdade. E no dia em que só o silêncio me restar como defesa, então será ilimitado, pois gume algum pode fender o silêncio vivo. Este é o meu único consolo. Sei que as recaídas no desespero serão profundas e numerosos, mas a lembrança do milagre da libertação leva-me como uma asa a um fim que me inebria: um consolo que seja mais do que apenas isso, e mais vasto que uma filosofia: que seja, enfim uma razão de viver.”
IN
“A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer”
Stig Dagerman
A ouvir: dEUS- “Serpentine”
Saturday, November 04, 2006
Onde a poeira se mistura com o sal...

Do mar…acredito que no profundo do mar, onde a poeira se mistura com o sal, existam cortinados entre os corais, cortinados que os separam para dar intimidade aos maiores espaços de amor que existem…de lá nascem incontáveis e prodigiosos organismos que permanecem para sempre na ternura e carinho das águas.
A ouvir: Morphine " Take me with you"
Esculpir Imagens...
Agora em que as cordas conseguem ser castelos o som torna-se mais forte.O céu está extremamente azul, hoje não consigo fazer esculturas com as nuvens.
O chão está fresco e uma aragem beija-me a face....
....Sente o vento empurrar as nuvens
Dança com elas
Deixa arrastar o corpo no seu sopro
Convive com ele e ao desenhares no céu
Aproveita e esculpe imagens
Experimenta os seus estilhaços
Sente o voo apertado faminto de qualquer luz
Parecido contigo e com outrem que descarrega em ti
A presença de um outro ser...
A ouvir: Russ Columbo "Guilty"
Friday, November 03, 2006
FERLOSCARDO
Novo Circo-Ribatejano
A fuga e encontro de luzes…seis lâmpadas suspensas que se cruzam infinitas vezes sem se encontrarem…sensível, cativante, mágico…um cenário compassado por hábeis tons de musica que intimamente acompanham os movimentos dos corpos e a criação de espaços…ora iluminados…ora presentes na memória e alimentados na nossa imaginação…
Gostaria de saber definir e expressar melhor todas as sensações experimentadas…mas é mesmo complicado adjectivar algo quando nos surpreende ao fazer crescer as nossas percepções…é mesmo Obrigatório ver….
Um conceito, criaçao e execução de Fernando Romão e Carlos Oliveira; Direcção musical de Bruno Pernadas; Música - Bruno Pernadas, David Leitão, Ricardo Ribeiro e João Correia
A ouvir: Orquestrinha do Terror ;)
E relembrando....

Relembrando e agradeçendo...há de factos homens que nos ensinam a pensar...
"Meço-me
Contra uma árvore alta.
Acho que sou muito mais alto,
Pois chego mesmo até ao sol,
Com os meus olhos;
E chego à praia do mar
Com os meus ouvidos.
Todavia não gosto
De modo como as formigas rastejam
Para dentro e para fora da minha sombra."
In Ficção Suprema
Wallace Stevens
Distracções de Doente
"Por vezes, quando me sinto em baixo e, sempre sozinho na cama, presto-me homenagem com a mão esquerda. Para que ela mexa tenho de forçá-la um pouco. Mas desde que começa, continua com um natural desejo de agradar-me. São tantas as genuflexões e graciosidades que me dirige, que até mesmo um terceira pessoa ficaria comovida."
In
As Minhas Propriedades
Henri Michaux
"Viajar, se não cura a melancolia, pelo menos purifica. Afasta o espírito do que é supérfluo e inútil; e o corpo reencontra a harmonia perdida- entre o homem a terra.
O viajante aprendeu, assim a cantar a terra, a noite e a luz, os astros, as águas e a treva, os peixes, os pássaros e as plantas. Aprendeu a nomear o mundo.
(….)
E enquanto acelerava o passo, descobri que a calma nem sempre tem força para construir um destino, não põe a vida em movimento.
(…)
Há homens com quem se pode aprender a ver aquilo que dentro de nós existe e não sabíamos.
Reconhecêmo-los pelo olhar. Quando se aproximam a noite reflecte-se clara nos seus rostos. Têm gestos lentos, precisos, como os dos deuses marinhos que habitaram, além do mar rente à ilha."
In
Anjo Mudo
Al Berto
Friday, October 27, 2006
Todos os que sem sono...

Quando morrer vou desenhar uma constelação, será a de todas a que mais brilhará e estará disposta aos desejos de todos os que sem sono quiserem sonhar…
Provocarei um naufrágio de estrelas cadentes, deixarei que se afoguem nelas, aqueles que quiserem sentir o que é a dinâmica do mundo, os que quiserem viajar pela verdadeira verdade que está dentro deles….
A ouvir: Cibelle “Phoenix”
Thursday, October 26, 2006
Um sopro para um candeeiro...

Hoje queria ter uma campânula de vidro, respirar para dentro dela e com o vapor criado, desenhar e escrever.
Apetecia-me também atear com um só sopro, vários candeeiros a gás fazendo de saltimbanco numa cidade, tendo uma mala com variados truques, chocolates e chás de várias cores e sabores.
Apetecia-me ligar para um número desconhecido do outro lado do mundo e dizer que sou eu.
A ouvir: Richard Swift- "Lovely Night"
Tuesday, October 24, 2006
Uma semente quando morre...

As montanhas contam histórias de passageiros que nunca esqueceram as pegadas, que viajaram por cumes, deles voaram até aos frutos de uma árvore qualquer, nela libertaram-se, caíram de maduros, repousaram na terra e cresceram numa semente.
As sementes contam que foram abertas, dissecadas e ofereceram a alguns solos partículas quase infinitas que inundaram os terrenos e areias até ao mar, onde se afogaram e se depositaram num coral, servindo de oferenda a todos os seres marítimos.
Há quem diga que todos os seres marítimos quando morrem, nunca deixam o mar, nem precisam de alcançar o céu atmosférico…tornam-se estrelas do mar…
A ouvir: Craig Armstrong: "Childhood"
Sunday, October 22, 2006
Luzes Laranjas...

Penso eternamente em luzes laranjas e num café nocturno de poesia que em certos momentos me preencheu. Por vezes quando me sinto só neste meu mundo interior, sento-me no meu pequeno baloiço e acordo as minhas lembranças.
Hoje tenho dentro de mim, notas de jazz…inúmeras notas e cantos… a noite oferece-me destas coisas quando me embebedo de sono e paixão por algo.
O silêncio das vozes que ficaram lá fora, a amargura levou-as para longe…trago em mim a ternura perdida das horas, o frágil nome das coisas.
Sinto a fluência do acaso das palavras, sinto-me eu e mais ninguém.
A ouvir: Calexico – “Ghost Writer”
A Concubina Chuva

A Concubina Chuva
Algures….0:42… 18 de Outubro de 2006
Há noites assim…há noites em que faz vento, há noites em que a chuva é uma brilhante concubina e traz-nos à lembrança a memória de mais um dia…há dias assim….há dias um pouco mais especiais, que nos trazem pessoas que gostávamos de ver e lugares onde se está bem…e mesmo quando parece que o dia acabou e mais nada de mágico acontece, ligo a rádio e toca…. “Man is the Baby”, Anthony and the Jonhsons….
E chove, chove muito…relâmpagos e trovões tal como no dia em que para me abrigar da chuva, entrei numa loja de musica em Den Haag, e ao acaso escolhi ouvir o CD nº 2…soou “Hope There´s Someone" ...lá fora continuava a chover, a linha de eléctricos interrompida…e eu… eu… tão bem….
A ouvir: Jolie Holand, “A Crash in the Getto”
(um grande obrigado ao Nónó pela pipi das meias alternativas 2;) : **

17.10.06
Ora aí está a mais catita comitiva algarvia em visita profissional ao Oceanário ;)…
Surpresa boa! Anabela, Nha Rita e Chiclete…é sempre bom estar convosco e aproveitar para ver umas medusas da lua, não é ritinha?;) Deixo para o nosso biólogo as explicações cientificas….
E já sabem…Lisboa espera por mais visitas de estudo, oki?
Para a próxima, e só e se apenas quiserem( é claro)… como o Francisco) podem aproveitar e deixar os miúdos a fazer os respectivos deveres e trabalhos que lhes compete fazer …na escola ;)
Wednesday, October 18, 2006



Algarve, Restaurante do Lin-Bing, (estimado aluno da EIA).
Trampolim de belas noites algarvias….paredes meias com o Calisto e seus rios de sangue… 30.09.06
Há muito que me ocorreu uma ideia, que decidi explorar com o meu amigo Vítor, (neste momento luso-australiano), numa das noites em que as altas horas nos despertam o espírito e em catadupa seguem-se os mais variados pensamentos e reflexões interessantes, como a que passo apresentar…
Pois bem, atendendo à proliferação da cultura oriental no nosso pais, desde dos produtos made in Taiwan (como brinquedos, harmónicas e as pomadinhas do Chinês) até à multiplicação em massa das famosas “lojas dos chineses”, parece-me ser de bom tom e de real importância defender a cultura portuguesa.
Para tal devíamos encetar a tarefa pelo âmago da questão, pelas necessidades primárias… em várias palavras pelo o que nos aquece e conforta o estômago.
Assim sendo, porque não introduzir na ementa chinesa, um cunho verdadeiramente português? Resultaria numa dieta muito mais rica, colorida e saudável que passo a apresentar…
Canja de barbatana de Tubarão;
Chao Min de Tripas
Dobrada Agri-doce
Chop Soy de Rojões
Bacalhau 5 Maravilhas
Entremeada Família Feliz
Febras com ananás
Cozido à Pequim
Torresmos com molho de ameixa
Pasteis de bacalhau flamejados
Tremoços com molho picante
Pêra bêbada Fa-Si
Lichia Caramelizada
Moscatel de Lagarto e
Ginginha de Rosas em copinhos das caldas
Estando aberta a mais sugestões e só para finalizar….
por um questão de concordância, sou a favor das designações portuguesas em estabelecimentos nascidos em território nacional, assim sendo e a titulo exemplificativo, porque não denominar o Restaurante kam-kong,(o do Lin-Bing,) Restaurante Chinês Kam-kong e Cunha?
Tuesday, October 17, 2006
Lugares…é tão bom sentir a loucura dos lugares, é como que ficassem dentro de nós e nos acompanhassem para sempre, despertassem nas ocasiões em que é necessário um conforto e só o conseguimos recorrendo a imaginação ou à nossa memória. Esses lugares que existem são verdadeiros lugares, são omnipresentes e eternos, não desaparecem em intempéries, derrocadas ou atentados humanos de pertença ou posse.São lugares que permanecem na comoção original dos dias e se perpetuam na casualidade do cruzamento de vidas e circunstâncias.
A ouvir: Iron & Wine ” Upward Over the Mountain”

“…YOU SPIN ME ROUND…”
FESTA RETRO 80´S
Sábado, 14.10.06, Ateneu Comercial de Lisboa
Apesar de ter estado em falta “ There is a Light that never goes out”, (Smiths) foi bom reviver The Cure, Depeche Mode, Pixies, Smiths, New Order….os 80´s menos alternativos, como “voyage, voyage”, “ don´t you want me baby” reservamos para uns bons copos….“…YOU SPIIN ME ROUUUUND…”
Wednesday, October 11, 2006

Pessoal lindo,
Agora que tenho este pequeno espaço, não me poderia esquecer do pessoal mai liiiiinnndooo e boa onda......
Um grande beijinho....ja tenho saudades de estar có vocês, ca nha rita, ca marlene, ca sofia, ca gi, ca ana, ca tricia, co dani, co chiclete, co luis carlos...enfim, co todos...;) loooll ja tenho saudades de apanhar com cada susto...cada um à sua escala, é claro...

"Se alargas os braços, desencadeia-se uma estrela de mão, a mão transparente, e atrás, nas embocaduras da noite, o mundo completo treme como uma árvore luzindo com a respiração"
Herberto Helder
Todas as janelas são portos seguros para quem lá quer ficar simplesmente a olhar....

Um candeeiro e um pôr de sol, um final de tarde de Janeiro… e a musica da Stina Nordestam...people are strange...
Há momentos belos. Há momentos sombrios. Há pedaços de terra que ficam por pisar e pedaços de nuvem que nunca chovem…fica também sempre alguém por amar.
Monday, October 09, 2006
É bom experimentar as primeiras palavras que nos ocorrem, quando a loucura íntima das horas nos alcança...
Escuro o dia
Volátil a vontade
Respirar a noite
Fugir à dentada
Escapar do tempo
Enfrentar igrejas
Discutir a eternidade
Espirrar vozes
Ouvir musica
Olhar luzes
Rebentar por dentro
Explodir com corações
Arranjar guilhotinas
Beijar-te.
Mergulhar no mar
Boiar nas ondas
Sentir o sol
Esfregar maçãs
Boicotar o sol
Ranger os dentes
Tocar as campainhas
Escutar parvos
Sentir nas palmas grãos de areia
Engasgar-me com espuma
Abraçar-te.







