Thursday, March 26, 2009

 

Go rimbaud go rimbaud! Yeah do the watusi, do the watusi ...


Saturday, March 21, 2009

 

Dream of life



The boy was in the hallway drinking a glass of tea
From the other end of the hallway a rhythm was generating
Another boy was sliding up the hallway
He merged perfectly with the hallway
He merged perfectly, the mirror in the hallway
The boy looked at Johnny, Johnny wanted to run, but the movie kept moving as planned
The boy took Johnny, he pushed him against the locker
He drove it in, he drove it home, he drove it deep in Johnny
The boy disappeared,
Johnny fell on his knees,started crashing his head against the locker,started crashing his head against the locker,started laughing hysterically
When suddenly Johnny gets the feeling he's being surrounded
by horses, horses, horses, horses coming in in all directions
white shining silver studs with their nose in flames
He saw horses, horses, horses, horses, horses, horses, horses, horses.

By Patti Smith...

inspirador...uma verdadeira ode ao dia da poesia...
Lembrei-me de revisitar os " Perfumados Prados do Meu Peito" de Walt Whitman...
a
..." Dá-me então a tua música, ó morte, para estarmos em harmonia,
Dá-te a mim porque agora sei que acima de tudo me pertences e
que tu e o amor estão inseparavelmente unidos,
Não permitirei que me enganes mais com isso a que chamava
vida,
Porque enfim compreendo que és os conteúdos essenciais,
Que, por qualquer razão, te escondes nestas mutáveis formas de
vida, e que elas existem sobretudo para ti,
Que, para além delas, surge e permaneces, tu, realidade real,
Que, sobre a máscara das coisas materiais, aguardas pacientemente,
não importa enquanto tempo,
Que, talvez um dia, tudo dominarás,
Que talvez dissipes todo este imenso desfile de aparências,
Que talvez seja para ti que tudo existe e não perdura,
Mas tu perdurarás."

Thursday, March 05, 2009

 

Já a consigo ouvir...

o
"You wanna get boned
You wanna get stoned
You wanna get a room like no-one else
You wanna be rich
You wanna be kitsch
You wanna be the bastard of yourself
You wanna get burned
You wanna get turned
You wanna get fucked inside out
You wanna be ruled
You wanna be fooled
You wanna be a woman like a man,
Like a woman like a man. "

Pensei, Pensei e Pensei. Pensei.
Da noite saiu uma contralua.
Uma sensualidade não cabe num relato. Uma dança num retalho. Aqui estou eu.
O vapor sempre me deixou desenhar nos espelhos muito melhor.
As imagens são lembranças do passado e do agora. O vindouro sopra numa música.
Já a consigo ouvir.
A sanidade não conhece as cores do mundo.

A ouvir: "Woman Like a Man" by Damien Rice

Friday, January 16, 2009

 

Mapa de Al- Idrisi

“O oceano rodeia os limites terrestres e tudo para além daí é desconhecido. Ninguém foi capaz de verificar o que quer que fosse, devido às dificuldades e perigos da navegação, a sua grande obscuridade, profundidade e tempestades frequentes; devido ao medo dos peixes monstruosos e terríveis ventos; no entanto existem muitas ilhas, umas com gente e outras desabitadas. Nenhum marinheiro se arrisca a entrar nessas águas profundas, e se alguns o fizeram, foi percorrendo ao longo das costas terrestres, receosos de se afastar demasiado. As ondas deste oceano, embora movendo-se com altura de montanhas, mantêem-se inteiras e sem se quebrar, porque se se quebrassem, seria impossível para um barco ultrapassá-las.“ eee
a
Apenas tinha pensado em encontrar um mapa para uma música dos Yeah Yeah Yeahs...
E agora que descobri o mapa de Al- Idrisi, mais uma vez percebi que as referências que conhecemos impedem que ao se quebrarem ondas, rebentem impossibilidades. Talvez aquelas que façam do papel um desdobramento ou de um som um arrepio.
Num nunca dizer um sempre.
Contudo haverá sempre gente receosoa que calcula tempestades e audácias que não sabem conhecer corações.
E resta sempre em alguém um mundo desabitado, onde a apatia é um lugar demasiado afastado de um lágrima.
r
Wait, they don’t love you like I love you
And wait, they don’t love you like I love you
Ma-a-a-a-a-a-a-a-a-a-a-ap
Wait! They don’t love you like I love you.....
MAPS-YEAH YEAH YEAHS
a
E Um apontamento de Sigur Ros " Saeglopur"

Wednesday, January 14, 2009

 

Interlúdio

(Outlook)

quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009 16:57
To: bealivesky
Subject:

Luas sem voz, fazem com luz explodir imagens do mundo em sombras.
Quartos minguantes que fazem de nós sombras mais pequenas e quartos crescentes que nos arrastam nas correntes…

E agora vou ter de continuar a trabbb…

Mas posso a continuar a ouvir: Staring at the Sun - TV on the Radio; Love Song "The Cure"

Monday, January 05, 2009

 

You met me at a very strange time in my life...


"With your feet in the air and your head on the ground... "

Saturday, January 03, 2009

 

Vejo chover...

Há linhas que formam esquinas que esperam que as cruzemos como num transbordar de vida.
Como uma sensação de conteúdo de corrida para uma inocente posição, algo como um grito que se dispersa numa agonia que se desmancha num sorriso, por fim cansado.
Desconcentro-me em imagens desenhadas em nevoeiro. Em neons de fumo. Na banda desenhada que vejo chover. E há cortinas que lançam sombras em estranhas crenças mudas.
Talvez seja um silêncio que consiga ouvir num queimar de um fogo. Numa saida nocturna onde as estrelas já confusas planeam brindes sinceros.
Corro por pequenos objectos que apenas luzem nos meus arabiscos pensamentos.

A ouvir: Stina Nordenstam "People are Strange"
A recordar: Sia "Breath Me"

 

A ver...



Persepolis. Persepolis. Persepolis. Persepolis.Persepolis. Persepolis. Persepolis. Persepolis.Persepolis. Persepolis.Persepolis. Persepolis.Persepolis. Persepolis.Persepolis. Persepolis.Persepolis. Persepolis.
By Marjane Satrapi

Wednesday, December 31, 2008

 

Um segundo a mais...


Porque a terra vai ter mais um segundo...

Um segundo no mundo.
.............com mais um segundo...

um gota de chuva/uma palavra/um desdem/um sorriso/um não/um sim/o final de uma musica/o inicio de uma voz/uma batida de coração/um bom dia/um ate já/uma luz que se apaga/um neon que chora/uma estrela nao cadente/um sorriso desesperado/papel rasgado/
uma dança/piscar de olhos/uma tontura/um grito/um silêncio/uma hipotese/uma queda/uma gargalhada/uma vergonha/um tocar/um gesto/um vapor/um adormecer/um reconhecimento/um golo/uma alegria/uma tristeza/um dedelhar/uma mudez/uma nudez/uma neve/um amor/um amar/um cantar/um escorregar/um pintar/um qualquer chorar/um seguir em frente
um segundo num mundo...pequenas eternidades que contam histórias nossas...

Para este continuar de novos dias que por ai vêm votos de muita poesia e musica.
Sem elas a vida seria simples de nua, triste e sem alento. A doçura de muitos sorrisos.
Um agradecimento à lua por este segundo.
Um parabéns a todos que sabem aproveitar o "espectaculo que é o mundo" e a mim por ser hoje que nasci.

A ouvir: "Cheated Hearts" Yeah, Yeah, Yeahs"


Wednesday, December 10, 2008

 

O riso e falta de siso....

Sei que a falta de tempo me tem corroído a alma, como lama lenta nos faz fugir do chao.

Sei que arbitrariedade lógica da vida que nos diz ser guia, leva-nos para lugares longes, simplesmente muito longes.

Ha músicas que nos fazem sentir mais perto.

Hã ocasiões que oferecem tempo ao nossas horas.

A originalidade vaga que em crescendo arde no interior, naquele espaço do corpo que espera por vozes. E se existem lágrimas correm por prazer.

O batuque continua...com pequenos passos o medo foge. Os sapatos que tenho ganham vida, falam comigo.




Ai o "riso e a falta de siso" ....A Ouvir João Coração

Sunday, August 31, 2008

 

Para se chegar...


"Apanha-se um comboio para se chegar a uma cidade.
Apanha-se a morte para se chegar a uma estrela"

Vincent Van Gogh

 

Quatro Palavras

Death Cab for Cutie.


....há dias em que a monotia feita razão amplia tudo o que o ser lentamente digere....................... há horas lentas, vagas, vagorosas, mudas.......................em que o pesar feito golpe amplia o tempo
o que resta...................passagens... impetos quebráveis.... vidas (não vividas)....................................
...........................e possuir qualquer coração, com ingenuidade. Ponto Final.


(i will possess your heart/death cab for cutie).........................

Tuesday, June 03, 2008

 

Fanático das Nuvens...

"Começamos sempre a nossa vida com um crepúsculo admirável..."
René Char

Admirável o tempo que passa, a vida que não foge, mas por vezes tanta silencia..como uma chama que se dilui na água, ou um orificio que suga a luz...e no contínuo caminhar dos dias há gestos que arrastam no chão...silenciosos, baixinhos arrastam o coração...
Carmo, 3 de Junho de 2008
...há muitas e muitas flores violetas pela calçada...cintilam no xadrez das pedras

Monday, March 10, 2008

 

Só faltou esta....

A Night like This...

Say goodbye on a night like this
If it's the last thing we ever doYou never looked as lost as this
Sometimes it doesn't even look like youIt goes dark
It goes darker still
Please stay
But I watch you like I'm made of stone
As you walk away
I'm coming to find you if it takes me all night
A witch hunt for another girl
For always and ever is always for you
Your trust
The most gorgeously stupid thing I ever cut in the world
Say hello on a day like today
Say it everytime you move
The way that you look at me now
Makes me wish I was youIt goes deep
It goes deeper still
This touch
And the smile and the shake of your head
I'm coming to find you if it takes me all night
Can't stand here like this anymore
For always and ever is always for you
I want it to be perfect
Like beforeI want to change it all
I want to change

The Cure
08.03.2007....again and again again and againagain and again again and again an AGAIIIINNN

Thursday, February 21, 2008

 

Voltei...só para ouvir...

DISORDER BY JOY DIVISION

Ive been waiting for a guide to come and take me by the hand
Could these sensations make me feel the pleasures of a normal man?
These sensations barely interest me for another day
Ive got the spirit, lose the feeling, take the shock away.
Its getting faster, moving faster now, its getting out of hand,
On the tenth floor, down the back stairs, its a no mans land,
Lights are flashing, cars are crashing,
getting frequent now,
Ive got the spirit, lose the feeling, let it out somehow.
What means to you, what means to me, and we will meet again, Im watching you, Im watching her, Ill take no pity from you friends
Who is right, who can tell, and who gives a damn right now
Until the spirit new sensation takes hold, then you know,
Until the spirit new sensation takes hold, then you know,
Until the spirit new sensation takes hold, then you know,
Ive got the spirit, but lose the feeling,Ive got the spirit, but lose the feeling,
Feeling, feeling, feeling, feeling, feeling, feeling, feeling.

Thursday, January 10, 2008

 

......FIM.....


Wednesday, January 09, 2008

 

Um fim...9 de Janeiro



1925 - O compositor russo Igor Stravinsky apresentou-se pela primeira vez nos Estados Unidos, regendo a Orquestra Filarmônica de Nova York.
1926 - Abdul-Aziz ibn Sa'ud foi coroado rei de Hejaz e lutou para a unificação do país, hoje a Arábia Saudita.

1947- David Bowie, músico inglês
1959- Fidel Castro chega a Havana, capital de Cuba, após derrubar em 1° de janeiro, Fulgencio Batista
(que fugiu para o exílio), e assume o poder em Cuba.
1968 - A TV americana exibiu pela primeira vez um documentário submarino do oceanógrafo Jacques Cousteau.

1980- Nascimento de Lourenço Rodrigues- um gajo porreiro
1992 - A sonda Sakigake fez uma operação de assistência gravitacional com o auxílio da força da gravidade da Terra
1994- Lançamento da missão Soyuz TM-18
1996 - François Mitterrand, que governou a França de 1981 a 1995, morreu aos 79 anos vítima de câncer na próstata.
1998 - Imagens transmitidas de Saturno pelo telescópio espacial Hubble fortaleceram a teoria da existência de planetas fora do sistema solar.

2006 - Mehmet Ali Ağca, autor do atentado contra o Papa João Paulo II, recebe ordem de soltura na Turquia. 2006 - Registrada a temperatura mais alta da cidade de Pelotas: 41ºC.

2008- Nuno Fernandes estuda arduamente para o exame de fenómenos de transferência 2
2008- Tenho a certeza que a esta hora algo deve estar a acontecer no mundo, para além do nascer do sol ou gravitar da lua, algo singelo e belo, talvez uma serpentina de desejos na névoa
2008- Um FIM... com reticências que viajam à velocidade de todas as palavras que se continuam a refastelar em livros, páginas, conversas, cafés, avisos, bilhetes de avião, paredes da cidade, jornais, mesas redondas e quadradas, nos olhares, nos lençois, nos postais, na MÚSICA..em alguns sofás e em todos os sitios em que os momentos valem por si mesmos...


E dando hoje os Parabéns a David Bowie: A ouvir "ZiggyStardust"



Monday, December 24, 2007

 

Uma noite quentinha...

Gezur Krislinjden! Frohe Weihnachten! Shenoraavor Nor Dari yev Pari Gaghand!
Nedeleg laouen! Bon Nadal! Chuk Sung Tan Čestit Božić! Feliz Navidad!
Gajan Kristnaskon! Hyvää joulua! Joyeux Noël! Kala Christougena!
Kellemes Karácsonyt! Merry Christmas! Buon Natale! メリー・クリスマス! 
Merii Kurisumasu! Kung His Hsin Nien! God Jul! Buon Nadal!
Wesołych Świąt Bożego Narodzenia! Feliz Natal! Sarbatori Fericite!
С Праздником Рождества Христова S! prazdnikom Rozhdestva Khristova!
Klidné prožití VánocGod Jul Srozhdestvom Kristovym!

e se possível com muitas bolas de sabão sopradas no vosso miradouro preferido...que tal na Graça, Nossa Senhora do Monte ;) ?

Tuesday, December 18, 2007

 

I loves you porgy

By Nina Simone...

I loves you Porgy
Don't let him take me
Don't let him handle me
And drive me mad
If you can keep me,
I wants to stay here
With you forever and
I'd be glad
I loves you Porgy
Don't let him take me
Don't let him handle me
With his hot hand
If you can keep me,
I wants to stay here
With you forever....
I got my man

e todas as musicas assim fossem....

Thursday, November 29, 2007

 

Portas que rangem...


....O silêncio da noite dá-me o barulho das estrelas. Deito-me num pequeno colchão, a noite esta rente à minha face, hoje o mundo fez-me uma ressalva.
Alguma atenção fúnebre experimenta o acaso e por acaso experimento o pernoitar.
A noite... este espaço infinito. Quem me dera que durasse mais algumas horas.

Sei que a madrugada não tarda a vir. A magia desaparece. O sol queima as coordenadas da minha vigília nocturna....
Penso no som dos acordeões, harmónicas, pianos e guitarras que dizem tudo mesmo quando me calo e minha mudez nada atinge.
O ranger das portas parece acompanhar-me. Que se abram então....


A ouvir: " The passenger"...Iggy Pop ou Siouxie...ja não sei qual a versão de que mais gosto..lol

 

Hoje apetece-me dançar....


.......Cities in Dust.....

Siouxie and the Banshees

Thursday, November 22, 2007

 

A ver...A ver...Control


Confusion in her eyes that says it all.She's lost control.And she's clinging to the nearest passer by,She's lost control.And she gave away the secrets of her past,And said I've lost control again,And a voice that told her when and where to act,She said I've lost control again...

Wednesday, November 14, 2007

 

Pariu uma lua...

Uma flauta que beija narcisos.
Um corpo celeste que estanca uma ferida com estrelas.
Um noite tão negra, tão negra que pariu uma lua cheia.
Um carro que segue à minha frente tem olhos vermelhos que piscam.
Numa janela há luz fosca, doce e uma cortina que em forma de véu agasalha o que lá dentro de passa. Tenho vergonha de espreitar. É um segredo que fica verdadeiro.
Quatro rapazes caminham na rua.
Folhas secas divagam com eles.
Na minha rua, uma criança sorrateira prega sustos.
O velhote da mercearia espera por algo que não vem. Diz que os anos passam, começam no Carnaval, passam pela Páscoa, pelo Agosto e acabam no Natal. Parece que se entrega ao desapontamento mas os seus olhos azuis não mentem e esperam sempre por um bom dia ou por uma boa noite. E eu dou sempre que posso.
Uma mulher de vestido verde e dourado, descalça e de pé numa das estátuas da fonte do rossio. Tenho a certeza que faz parte de um sonho luminoso, de águas que recusam acordar. Por vezes o romance mascara-se de loucura. E eu adoro desvendar máscaras.
A máscara da graciosidade…delicada, simples, imbuída em purpurina que alimenta a retina num caminhar de mãos dadas.
Esta noite ofereci castanhas quentes.

A ouvir: Love will tear us apart control... A ver: Control

:** agradecimento a quem me lembra de fadas em fontes e partilha castanhas quentes num banco qualquer do rossio vista para o gremio, onde mensagens escritas em pins são pretinhas, chocalatinhas e lindas;)....


Friday, November 09, 2007

 

Lisboa, pelas 23:00, dia 7 de Novembro de 2007

I'm timeless like a broken watch, and make money like Fred Astaire...I see that you've come to resist me, I'm a pitbull in time...The pretence is not what restricts me it's the circles inside...An anatomy of kisses...And a teacher who tries and knows how we'll disappear...Would you like to be my Missus...And a future with child...You know we can't get back from here...We can get away, Baby won't you try to find me, Baby won't you try to fight, Baby won't you try to find me...Maybe it will be alright...Along the way...Tears drown in the wake of delight, there's nothing like this built today...You'll never see a finer ship in your life...

... I´ll go take you in a cruise...
Interpol

Monday, October 22, 2007

 

703 Sonhos 720 Travagem


Da noite já tinham passado algumas horas...havia deixado a alcatifa do quarto e o vapor de alguma água quente. Descia pela rua escura, faltava a calçada luzente e as minhas belas luzes laranjas.

De vez em quando o corpo sente algum desapontamento e ao atravessar para o outro lado da rua, lembrei-me de algo sem que nada de especial o desperte. Lembrei-me que deixei coisas por escrever, se é que mesmo que algum dia terá um fim..passa o autocarro 703 Sonhos...

Fazia frio, da vontade fugia o quarto, paredes brancas, uma secretária castanha imune a impressões digitais e onde cortinas sufocam o sol....Desço a rua, a luz não reluz no chão, nem tão pouco no alcatrão da estrada...a calçada é um desenho laranja na minha memória... e parece que a encontro no fim da rua que queria descer...vozes maternas lembram o medo pelo desconhecido.. abrando a vontade mas não o passo...segue o autocarro 720 Travagem...

Volto para o quarto.

A ouvir: Arcade Fire : "Neighbohood #1"...memórias de em viagem e de volta a lisboa numa qualquer festa do estendal....;)

Wednesday, October 17, 2007

 

Redondo como a lua...



9 de Outubro de 2006...

Chão da sala do mano Hugo- Noite - Alguns chuviscos-Reflexos de luz da televisão- Two More Years-Boas intenções - Volcano- Biscoitos e uma água- Palavras Insistentes-Cocorosie- Falta de nomes- Lembrança de uma varanda, de um baloiço e de um poema- Sofá de Sonhos
Consta que os gregos celebravam os aniverários colocando nos altares do tempo de Artémis bolos de mel redondos como a lua e iluminados com velas...
E para todos...um sofá redondo como a lua luminado com velas...e um pavio para soprar sonhos...


Não tenho mesmo grande jeito para datas...há um ano atrás (17.10.06) descobria o quanto é maravilhoso sentir a loucura dos lugares;)... os dias são mesmo viajantes da eternidade...( Bashô)


A ouvir: Jeff Buckey: "Hallelujah"

Friday, October 12, 2007

 

Tempo...

Tempo,

do Lat. tempus
s. m.,

duração limitada, por oposição à ideia de eternidade;
período;
época;
sucessão de anos, dias, horas, momentos, que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro;
meio indefinido onde se desenrolam, irreversivelmente, as existências na sua mutação, os acontecimentos e os fenómenos na sua sucessão;
certo período determinado em que decorre um facto ou vive uma personagem;
oportunidade;
ensejo;
estação ou ocasião própria;
prazo;
duração;
estado atmosférico;

Preciso de um bolso para guardar o tempo...


Tuesday, October 02, 2007

 

Bela Tolice das Coisas


" O ardor da tarde ilumina os bambus, as fontes murmuram com gosto, o sussurro dos pinheiros escuta-se na nossa chaleira. Sonhemos com a evanescência, e demoremo-nos na bela tolice das coisas"

" Os que são incapazes de sentir em si mesmos a pequenez das grandes coisas estão aptos a subestimar nos outros a grandeza de pequenas coisas".

In Livro do Chá de Kakuzo Okakura
O Nerull sabe bem mergulhar na bela tolice das coisas comigo...loool..e que bem que me sabe...;)

Friday, September 28, 2007

 

Hoje...estou contente...


tenho razões para isso... e apeteceu-me partilhar...

...vou fazer o que gosto...;)


A ouvir: Scott Mathews: "Elusive"...é bonito...

Saturday, September 22, 2007

 

Capicuas


22 de Setembro...

111º post...

E como diriam os Naifa....

"A verdade apanha-se com enganos"

Sonhei aos vinte anos
durante três avé-marias
que eu tinha-me roubado a minha vida
depois de treler o monte dos vendavais
decidi ir contra a futilidade do romance
fui apanhado aos vinte e dois anos em plena capicua inocente e rua
em amantíssima posse viral
a verdade apanha-se com enganos
aos vinte e três outonos apaixonei-me doze vezes
e nem sempre pelas mesmas almas
mas sobrevivi a um coração míope
A verdade apanha-se com enganos


 

Esvoaçar...

Dilata-se o espaço dentro de uma chávena de chá
Devagar ouço zumbidos
Lá fora alguém esvoaça, as suas asas tocam música
E no bater discreto desamarram violas

Dentro de uma chávena de chá, alguém
Com um manusear desperta pequenas ondas
Que circulam e fazem navegar o que lá no fundo fica
Como no coração navega o sangue
E na alma a claridade


A ouvir: Jolie Holand: "Springtime can kill you"


Wednesday, September 19, 2007

 

Recordando...belas tardes...












Também se sonha no papel e se adormece no mar....

De água que refresca a raíz que imagina a Flor e pinta a pétala que vibra o olhar e uma gota de água que se põe a sonhar cintila na erva fresca....


A ouvir: The Smiths : " Some girls are bigger than others"

uma tarde no next-art, escrevendo intuitivamente sobre papel de restaurante...lol...saudades..



 

Sobre o poema...


"Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangueou sombra de sangue pelos canais do ser..."


Herberto Helder


A ouvir: PJ harvey "When Under Ether "

Saturday, September 08, 2007

 

A Ouvir...a ouvir...

The National..."Fake Empire"

 

Luas...

Francesco Musante



Há sempre tantas luas.
Uma chavena de café para oferecer.
Uma janela para ficar a olhar,
de cabeça enconstada à vidraça, tecendo com a respiração
a passagem de notícias que vindas de longe nos convidam a deambular
Há sempre um mundo que nos espreita ao contrário
e que nos delicia com boleias de bicicletas destinadas a trapezistas.
E casas, casas que saem do ventre arquitecto de um qualquer mastro ou eixo que se perdeu no céu.
É doce sonhar.
Esmiuçar a sacarina de cada viagem feita bola de sabão que devagar e silenciosamente se liberta de cada vez que expiro...

A ouvir: Stina Nordenstam...
...porque há noites em que razões tristes nao roubam sorrisos... jantares muiito saborosos ( agradecimento especial à claudinha) e aneis de cores mágicas oferecidos encantadooooraaaamente;)...liiindo. obrigado n:)


Monday, September 03, 2007

 

Embriagar...


A tarefa de criar não é grata.

Não existem novas palavras, todas estão reunidas num dicionário. Umas são mais usadas que outras, mas todas elas esperam ser usadas, dissecadas...

Dissecar palavras é um termo forte, é mesmo um crime dissecar palavras... puxar-lhes as entranhas, atingi-las, infligi-las e mesmo assim torná-las sóbrias no meio de um texto ou poema.

As palavras não são mais do que pequenas gotas etílicas à espera que alguém se embriague por elas....


A ouvir: Devendra Branhart: "Fall"

 

Álbum de família...


Já mereciam...;) A ouvir na radar...

(estou mesmo contente de não se terem esquecido...)


Monday, August 27, 2007

 

Baby, did you forget to take your meds?



A ouvir: Placebo...

 

Sem sono...


Estou sem sono...parece que os domingos normais têm este efeito...isto de poder passear, apanhar um pouco de sol, sentir o ar fresco e ainda ter tempo para fazer algumas compras a um Domingo deixa-me sem sono...
Na verdade, não deve ser só de isso. Chegar a casa à uma da manhã e a porta estar encravada ajuda...tentar entrar pelas traseiras e acontecer o mesmo também desperta um bocadinho...o meu vizinho do lado ter se esquecido de mim enquanto supostamente ia buscar uma faca também...e o de cima descer de roupão e dar umas boas marradas à porta também...enfim, afinal o truque estava mesmo num pano de cozinha que delicadamente protegeu os dedos do meu vizinho e ele lá empreendeu na chave toda a força que tinha...
Mas nem tudo corre mal...a minha televisão finalmente tem imagem e já não parece um rádio gigante...
Ai não fosse o bacalhau com natas e caril de frango da Dona Isaurinha....hummmm..........;)....

A ouvir: Nada como Clash para arrebitar mais um bocadinho;)

Monday, August 20, 2007

 

A minha menina...



A place called home
One day
I know
We'll find
A place of hope
Just hold on to me

Just hold on to me
Walk tight

One line
You're wanted
This time
There's no-one to blame

Just hold on to me
And I'm right on time

And the birds keep singing
And you're right on line
And the bells keep ringing
And the battle is won
And the planes keep winging
And I'm right on time
One day there'll be a place for us
And the girl keeps singing
I walk

I wait
With folded hands
And lonely
I stumble
I stumble
With you

I wait
To be born
Again
With love comes the day
Just hold on to me
And I'm right on time

And the birds keep singing
And you're right on line
One day there'll be a place for us
And the bells keep ringing
And the battle is won
And the planes keep winging
And I'm right on time
One day there'll be a place for us
And the girl keeps singing
Now is

The time
To follow through
To read the signs
Now the

Message is sent
Let's bring it to its final end
And I'm right on time

And the birds keep singing
And you're right on line
One day there'll be a place for us
And the bells keep ringing
And the battle is won
And the planes keep winging
And I'm right on time
One day there'll be a place for us
And the girl keeps singing
And I'm right on time

And the birds keep singing
And you're right on line
One day there'll be a place for us
And the bells keep ringing
And the battle is won
And the planes keep winging
And I'm right on time
One day there'll be a place for us
And the girl keeps singing
One

Day
One day there'll be a place for us
Know
There'll be
A place
Called
One day there'll be a place for us
Home
PJ Harvey

 

Circunstâncias


Há sempre...

Um sonâmbulo que ri

Uma árvore parida pelo vento

Um fruto que é mendigo da terra...

E nas entrelinhas, no papel em branco

Vivem pessoas

Ouço o seu ritmo, o gotejar do coração

O eco das palavras, a mudez dos pensamentos

Do lado de dentro barulho vazios criam inutilidades, distracções não identificáveis

Pergunto onde estará o photomaton,

o tempo parado que conta histórias

pequenos episódios que oferecem o espantoso à nossa vida.



Pintura de Cátia Monteiro ( essa graaande artista...um beijinho;) e boas férias para a minha cagareu preferida)
A ouvir: Elliot Smith : " Spreed Trials"

Saturday, August 18, 2007

 

Hoje...

Hoje...

hoje estou cansada
estou com saudades
ouço phoenix da cibelle
penso no dia que vem
no que dia que deixei
lembro-me de escadas onde me sentei
de luzes que me surpreenderam
hoje tenho cobertores desenrolados
pernas cruzadas e pensamentos atardoados

hoje tenho medo
mas por vezes ele esconde-se em vozes que nunca partem
deixo-me ir e repouso
para um dormir
para um acordar
para uma poesia experimental
que sorri à chama da intuição
do andar, sem pensar
do sentir, sem discernir

HOJE, Hoje, HOJE, hoje....H....O....J....E ... hOjE...experimento a descontrução apaixonada do mundo e das palavras...experimento a vida ao contrário...


Thursday, August 16, 2007

 

Um Sofá...



Do meu pequeno
sofá de sonhos
magnetizado pelo
som de uma estrela
Despeço-me

Transpiro o sabor do
adeus
saturo as lágrimas
condensadas de uma alegria

Ateio fogo ao peito
espero renascer
numa nuvem
e fazer chover
as lembranças


A ouvir: Anthony and the Jonhsons: " Man is the Baby"

Wednesday, August 15, 2007

 

Simplesmente Candy....


"Candy said she's made arrangements for me in the sand
And Candy said she wants me with her down in Candyland"....

Morphine....uma música perfeita para uma banda perfeita...
(obrigatório ouvir pelo menos uma vez na vida)


Tuesday, August 14, 2007

 

A relembrar....


A verdade que pertence aos gestos
Ao menor dos nossos gestos
Antes de chegarem palavras que nos socorram
Ás vezes é a verdade de um amor.
António Tolentino Mendonça




A ouvir: Cibelle: "Green Grass" e Elliot Smith.....

Friday, August 03, 2007

 

Para contar...


Carta# 3

Pensei em inúmeros casos para te contar.
Ouço o barulho das máquinas, à minha frente tenho uma grua de ideias…
As luzes tornam a vista muito mais bela e acolhedora…
Sinto a minha cabeça de novo muito pesada….sinto que os meus pensamentos se acusam mutuamente, lutam uns contra os outros, mas empatam…nada se resolve…não vejo uma abertura no meu saco de decisões…continua fechado pronto a ser incinerado por uma alucinação qualquer que entretanto decida por mim.
São vozes que me abrem ao espaço, são melodias que me encantam neste céu negro nocturno onde nada mais se ouve a não ser o respirar contínuo do mundo para mais um dia.
O sol levou o passado para longe para o espaço ausente de existência, para o arrastar antigo das lembranças.
És tu lua, a minha eterna companheira de paisagens nocturnas a que chamo para junto de mim.
As tuas sombras são indistintamente belas, mereciam que as visitasse.
Eu jurei que um dia iria ser uma fada e conseguiria deambular pelas noites com uma varinha. E uma promessa a cumprir…apenas não sei a hora exacta, mas não faltarei ao meu compromisso.
Arrasam-se os tempos…e difícil controlá-los. Se eu bradar trarei pausadamente a loucura intima das horas, escolherei as palavras certas como que uma inspiração natural da certeza que não se questiona por tão pura que é entre as pedras que vou recebendo.. e que me confundem num bailar interminável de contextos onde a fera está escondida e apanha-me constantemente desprevenida.
Toda a verdade resume-se a beleza.
Toda a beleza resume-se a verdade de sentimentos e algum sorriso.


A ouvir: Morphine "I´m free now"; Lou Barlow "Legendary"

 

Alguém me constroi um calculador de improbalidades?



Calculador de improbalidades...Ana Hatherly, a minha rilkeana preferida;)...



Thursday, July 12, 2007

 

Há dias em que apetece ouvir....Volcano...


Junho de 2005...um cd meio perdido chamado O...soava e soava....

 

De vez em quando...


De vez em quando ouço trovões…adoro ouvir trovões…é um som tão genuíno, daqueles que nos lembram que estamos vivos de alguma maneira... de vez em quando até o céu consente ser fotografado.
Fecho os olhos e apenas quero vislumbrar a origem das coisas, a domesticação das palavras, sons cobertos de pequenos toques, pensamentos vindos de dentro, onde apenas circula o sangue.
Por vezes é mesmo necessário parar o corpo, interromper o movimento das pernas, esperar...esperar pelo ensejo forte e não contraditório que só algumas horas nos oferecem.

A ouvir: Seu Jorge : " Rebel, Rebel"....."a maquiagem vai desmanchar para o seu medo aparecer"


Wednesday, June 27, 2007

 

Uma boa noite... ao Som de ...Vancouver


E que tal deixar cair e escorregar o corpo rente ao chão, olhar pela janela, ver a calçada e nele desenhar uma coreografia como se arrancassemos todos os sentimentos em gestos?

 

Instalação # 2


Descobrimos um quarto pintado de preto com linhas verdes e amarelas fluorescentes desenhadas no chão que quando começamos a andar apagam-se e não sabemos bem para onde ir, se estariamos em caminhos certos... Andámos então colocando o minino de vezes os pés no chão.
Está então desenhada a rota em forma de porta aviões como num jogo da batalha naval. Somos vários, continuámos a seguir os pontos, chocamo-nos e uma luz vermelha acende-se... vemos Marte junto de nós pelas enormes janelas, cobertas de cortinados pretos.
Todos sorrimos, as nossas faces com o reflexo vermelho e os olhos brilhantes. Ficamos horas enrolados naqueles cortinados pretos a ver Marte. Toda a noite e mais um dia...Descobrimos mais tarde que naquele quarto não se faziam dias, apenas noites. Quando nos levantámos deixamos os panos pretos deixados ao acaso no chão, como pequenos montes e ao sairmos vimos que ganharam a cor das faixas fluorescentes do chão. Neles ficaram desenhados vários porta aviões. Chegamos ainda a vê-los pendurados nas janelas. Contam que dantes haviam ficado negros porque os antigos visitantes não conseguiram neles ver porta aviões.
Saímos e deu-nos vontade de correr entre as entradas dos demais quartos. Atiramo-nos contra as paredes, exploramos aquele sitio intermédio, ponto neutro entre os quatros que ainda nos faltava entrar...exploramos de quantas maneiras pudemos experimentar. Deixamos a palma invisível da nossa mão marcada nas paredes, deixamos o nosso corpo lentamente cair pela parede, despimo-nos e sentimos o frio e o rugosidade do chão enquanto sorriamos uns para os outros e nos imaginavamos outras pessoas.
Acabamos por dormir um pouco... Uns deitados, outros encostados nas paredes apoiados uns nos outros.
De um dos quartos ouve-se um zumbido e um de nos começa a assobiar. Compõe-se uma musica, é traçado um ritmo, mas nenhum de nós larga a anterior posição, continuamos sentados ou deitados. Estamos com medo. Estamos um pouco cansados. Naquele momento bastava bastarmo-nos uns aos outros.
O zumbido termina e decidimos nos levantar. Seguimos em direcção a esse quarto e sem sabermos bem porque razão, parecia-nos um quarto mais familiar. Cada um de nos imaginou nele uma cama, uma secretária, cortinados suaves, um candeeiro de luz suave.
Alguém tenta acender a luz, mas não consegue. O quarto não tem luz.
.....
A ouvir: Antony and The Johnsons "Hope there´s someone"

 

Uma boa noite....ao som de Elefhant Gun...


E que tal sentir folhas secas e pedaços de algodão a cairem por cima de nós...e apenas sorrir?...

Monday, June 25, 2007

 

Uma Instalação # 1




#1

Para se escrever tem de se estar quente, esquecer o mundo lá fora e atirar pólvora ao que fica dentro da nossa cabeça.
Tem de se desenhar e montar uma instalação como que se em nós houvesse um corredor, uma casa e vários quartos que se espalham a partir de uma raiz qualquer.
Imagino uma instalação pintada de um azul marinho fusco e algo brilhante... alguns pedaços de espelhos partidos e dispersos ao acaso nas paredes do corredor. Pedaços que se debruçam e acompanham o sentido de todos os passos, gestos e deambulações dos que passam.
Entre esses espelhos tiras de papel vermelho e letras a preto, onde nada se lê... são apenas pedaços de letras que também giram de acordo com as orientações do espelhos e que formam palavras. Pegamos nessas palavras agaixamo-nos e no pavimento de madeira freios e riscas castanhas pedem para ser contados. Encontramos números e oferecemo-los ao silêncio, para mais tarde serem usados...
Passamos a um dos quartos e ouvem-se batidas de repercurssão…relembramos o número decorado e aí encontramos o número de batidas, as que condicionam as badaladas dos relógios partidos que servem de post- its nas paredes. Nos vidros dos relógios partidos lêem-se mensagens com o vapor da respiração.
Alguém debruça-se num dos espelhos e expira levemente ...talvez tenha decorado demasido riscas e freios castanhos que não lhe saem da cabeça e um barulho insurdecedor das baladas inibe de ler mensagens.
Ao fundo e tão sozinho vê-se um canapé castanho decorado com cachecois de todas as cores. Alguém senta-se e aquece-se com um deles, azul e rosa. Fecha os olhos e fala com os relógios partidos.

Ouvem-se sinos e espanta espíritos... adormece-se com a luz vinda de fora que desenha no chão uma nuvem em forma de feição que fuma uma cachimbo.
É de manhã, as pálpebras abrem-se ao som de uma palavra passe imbuída na teia do sofá que pede para acordar.
As manhãs custam sempre a habituar e todas as coisas parecem ainda mais novas e estranhas do que aquelas com que adormecemos.
Levantar e explorar.
Sair de um quarto.
Observa-se o lado direito da ombreira da porta, entre o verniz da madeira veios de água escorrem até ao fim da porta e surrateiramente embebedam o chão e o tornam mais dócil.
Mais uma especie de corredor, uma parede castanha clara e decorada com fios de lã de todas as cores, pedaços maiores ou menores de fios que juntos nos dizem " Bem-Vindos".

......

A ouvir: Devlins: Waiting

É verdade que já há muito que não me deixada dormir, sonhar no meu sofá...fiquei presa nalguns lugares mais desassossegados...mas parece que me consegui libertar;)

Wednesday, May 30, 2007

 

Relembrando...


Estás aqui comigo à sombra do sol
escrevo e oiço certos ruídos domésticose a luz chega-me humildemente pela janela e dói-me um braço e sei que sou o pior aspecto do que sou
Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano e tudo o que faço ou sinto como que me veste de um pijama que uso para ser também isto este bicho de hábitos manias segredos defeitos quase todos desfeitos quando depois lá fora na vida profissional ou social só sou um nome e sabem
o que sei o que faço ou então sou eu que julgo que o sabe me sou amável selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavra se sei que afinal posso ser isso talvez porque aqui sentado dentro de casa sou outra coisa esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem de exterior a manifestação desta dor neste braço que afecta tudo o que faço bem entendido o que faço com este braço
Estás aqui comigo e à volta são as paredes e posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa e dizer aqui é a sala de estar aqui é o quarto aqui é a casa de banho e no fundo escolher cada uma das divisões segundo o que tenho a fazer
Estás aqui comigo e sei que só sou este corpo castigadopassado nas pernas de sala em sala.
Sou só estas salas estas paredes esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol
Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso diante dos dias.
Que ninguém conheça este meu nome
este meu verdadeiro nome depois talvez encoberto noutro nome embora no mesmo nome este nomede terra de dor de paredes este nome doméstico
Afinal fui isto nada mais do que isto as outras coisas que fiz
fi-Ias para não ser isto ou dissimular isto a que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome que não merda e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir uma coisa das outras coisas
Estás aqui comigo e tenho pena acredita de ser só isto pena até mesmo de dizer que sou só isto como se fosse também outra coisa uma coisa para além disto que não isto
Estás aqui comigo deixa-te estar aqui comigo é das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos tu és em cada gesto todos os teus gestos e neste momento eu sei eu sinto ao certo o que significam certas palavras como a palavra paz
Deixa-te estar aqui perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas
perdoa pagares tão alto preço por estar aqui perdoa eu revelar que há muito pagas tão alto preço por estar aqui prossegue nos gestos não pares procura permanecer sempre presente deixa docemente desvanecerem-se um por um os dia se eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer sou isto é certo mas sei que tu estás aqui

Ruy Belo

A ouvir: Anthony and the Jonhsons: "The Lake"


 

A ver...e a rever



Estava a acabar de ouvir uma música de Beth Orthon que ouvia em "repeat" nos finais do ano passado, quando me lembrei deste filme que por essas alturas também me acompanhou...um filme em que todas as palavras se revelam sem se pronunciarem...simples e sensível...
A ouvir: Beth Orthon "Ooh Child"
Death Cab for Cutie : "Your heart is an empty room"

Thursday, May 24, 2007

 

Apontamentos





O doce Largo do Carmo...




Acho que estou a precisar:


A ouvir: Hoje tento ouvir o mundo...tento ouvir o que tem para me dizer...


Wednesday, May 16, 2007

 

Last Goodbye


E quando mais nada resta ou o cansaço nos abandona a horas indevidas em lugares mais ou menos perdidos, quando um fechar de olhos traz lembranças de tardes quentes e bons finais de conversas, passeios a pé acompanhados de música, um bom banho de mar, um acenar a uma janela, cheiro a bolos quentes, restos de areia nos pes, toalhas molhadas, roupas leves, gargalhas sentidas e uma lua cheia que ao fim do dia se afoga comigo no mar...é bom fazer assim um ultimo adeus.... nada se chega a perder e uma memória doce cresce, torna-nos um pouco maiores e oferece o maior dos confortos.. o desamparo disfarça-se de todas as vozes que comigo falam...




A ouvir: Jeff Buckley "Last Goodbye"




Parece que sinto saudades da tarde de maçã da busiris e de todos os que me acompanhavam nessa tarefa;)..lol...beijinhos



Thursday, May 10, 2007

 

O Menino Zack



A ouvir..... BEIRUT

Nao me canso de ouvir e recomendo....
O menino Zack tem apenas dezoito aninhos...mas que sabe umas coisitas de música, sabe;)


 

Um post-it...


As nuvens estão lá, apenas se disfarçam de noite...
O mar é o espelho da noite e um floco de neve mascara-se de lua...
Na perfeição de um universo de água, compõe com a sua sombra uma enorme nota que ao tocar se quebra em gelo e derrete algures, onde algumas almas se sabem perder...

A ouvir: Beck "Sunday Sun"

Tuesday, May 01, 2007

 

1º de Maio


1º de Maio

Hojé é dia Internacional do Trabalhador e como tal, vou mesmo me refastelar no meu sofá e deixar a cargo de duas pessoas as tarefas de deixaram aqui uma palavritas.

Na verdade, estou refastelada no belo sofá vermelho do meu amigo Meliante Ferroupilha e deliciosamente ouço Beirut e saboreio uma bebida encontrada num sarcofago...
O Meliante Ferroupilha vê na TV um jogo com o regressado Tod´Catita que de terras polacas me trouxe pedaços do palácio de ambar que tanto tinha pedido...

Estou ao pé de uma pequena e bonita varanda, lá fora chove...as pedras brancas e pretas da calçada do Rossio reluzem e as luzes do elevador de Santa Justa estão tenuamente turvas... esperam pelas doces horas do relogio do convento do carmo, as unicas ainda docemenente iluminadas...numa noite de chuva como esta...

Gosto de voltar deste pingar, de olhar lá fora e deixar os sonhos perdidos seguirem junto com as correntes de água nas ruas...para um sitio onde será bom nos deixarmos ir...

E os outros sonhos...os outros sonhos continuam e hoje parecem guardados no campanário do carmo, embalados pelas sempre luzes laranjas que me acompanham...

Bom, já me ia esquecendo das palavras dos meus amigitos....lool
"Isto já está ligado? Está ligado ou não?...Ah! Já está ligado. Eu só queria dizer que..."
"Não gosto de pressão, na escrita, na arte ou fora dela (leia-se da mulher) . Excepção ao belo do fino, da imperial e do que a rodeia (leia-se mulher)."
A ouvir: Beirut e !!!

Monday, April 30, 2007

 

E porque às vezes tudo o que apetece é dizer yeah!...

Yeah, yeah, yeah, yeah-yeah, yeah-yeah, yeah... yeah, yeah-yeah, yeah-yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah, yeah-yeah, yeah-yeah, yeah... yeah, hey, hey, hey, hey
Yeah, yeah, yeah, yeah-yeah, yeah-yeah, yeah... yeah, yeah-yeah, yeah-yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah, yeah-yeah, yeah-yeah, yeah... yeah, hey, hey, hey, hey...

Yeah, yeah, yeah, yeah-yeah, yeah-yeah, yeah... yeah, yeah-yeah, yeah-yeah, yeah

(...Everybody keeps on talking about it... nobody's getting it done I'm tired, tired, tired now of listening, listening... knowing that the ship's gotta run...
Everybody keeps on pushing and shoving... nobody's, got the guts You owe me ti-ti-time, now they're writing me in... I'm gonna act like I should...
Everybody keeps on listening in... Nobody listening up We've been try-try-trying now to let you in... And, you just got let in by their luck (?)
Everybody keeps on talking about it... nobody's getting it done Everybody keeps on talking about it... nobody's getting it done I'm tired, tired, tired now of listening, listening... knowing that the ship's gotta run, just gotta run... )

LCD Soundsystem: "yeah, yeah, yeah"

Tuesday, April 17, 2007

 

Perspectivas Perfeitas


Carta #2
...Cada vez tenho mais a certeza que as nossas mentes precisam de vozes quentes, suaves, engasgadas quando necessárias…vozes sublimes de fazer timbrar o universo pessoal de cada um, de fazer vibrar as águas, de encontrar pontos de fuga em perspectivas perfeitas...

Hoje enquanto esperava pelo comboio, sentia-me triste mas não aquela tristeza que não nos motiva a nada…esperava por algo que acontecesse e que o má sorte não o tivesse a impedir…Chovia...olhei para o chão branco da estação, estava sujo de terra, terra que se transforma em lama diluída por todo aquele branco e começei a desenhar com os meus sapatos naquela terra enlamaçada trazida pelos passos de outrem… começei a dar forma ao chão que hoje me parecia demasiado rígido, demasiado duro...e nós sabemos que precisamos e de quanto nos sabe bem um chão atapetado e almofadado aos nossos estados de espírito....



A ouvir: Damien Rice "9 crimes"

Thursday, April 12, 2007

 

O meu Velho Atlas...










Há uns meses atrás, lembro-me de ter sido numa noite bastante fria, andei a passear "por ai" com o meu mano...depois de passarmos pelo Grupo Excursionista Vai-Tu~;), descemos mais a baixo até à Marquinhas, onde nos sentamos, bebemos um chá quente e das estantes tirámos uns livros...na altura gostei tanto deste texto que o passei para um papel que tinha na carteira...há pouco enquanto procurava um outro papel encontrei-o...e que bem que me soube;)...

"Acredito que as palavras matam a magia.
Olhando retrospectivamente para vinte anos de trabalho, tudo me parece ter sido uma longa e estranha viagem.
Da inocência juvenil à crise da meia idade.
Um diário com contactos que reflecte felicidade e dor.
Ao longo destes anos, tenho andado à procura de respostas.
Mas só tenho recolhido algumas visões e montes de dúvidas.
Cada vez mais pergunto. Viajei pelos Estados Unidos e pela América do Sul à procura de sensações fortes. Percorri o mundo Árabe em busca de espiritualidade e da renúncia.
Trabalhei na Europa, escavando o passado e interroguei o futuro.
Ansiei pela serenidade no Extremo-Oriente.
O mundo vai-se tornando mais pequeno à medida que olho para o meu velho Atlas.
Às vezes estou cansado de viajar, mas sei que o conforto é uma armadilha mortífera.
Não tenho escolha. A fotografia atrasa a morte. Mantêm-me vivo a preto e branco."

Paulo Nozolino, fotografo
A ouvir: Yeah Yeah Yeahs "Maps"

Monday, April 09, 2007

 

Há algum tempo...

#1 Carta
....Há algum tempo que cá não voltava, e tanto se tem passado. Na verdade, não tem sido assim tão fácil.
Na verdade, o meu continuar a viver, tem voltado ao viver outra vez muito no meu mundo, com muitas reticências, sem grande paciência…deve ser influência desta cidade que tanto gosto e me trata assim.
Têm se passado coisas, e quando se passam coisas na vida de uma pessoa, a pessoa vai com coisas a mais, com coisas a menos, umas vezes alheada, outras parte de um projecto experimental.
A vida experimenta-nos, dá-nos saudades de termos muitas almas.
E difícil conviver com os carris que chocalham tanta terra...

A ouvir: Tom Waits: Fish & Bird
...miguel, já reconheces ou não? espero que sim...está no Alice ;)

 

Relembrando....A aspereza das estrelas

Não esqueças sobretudo a armadura
da noite,
a aspereza das estrelas
quando os olhos são recentes
e a gravitação é como um poder
sucinto na mãos.
Vasco Gato
A ouvir: Devendra Banhart "Rejoicing in the Hands"

Wednesday, April 04, 2007

 

Já é tarde...


Já é tarde, penso que estou a precisar de uma água fresca...na verdade preciso mesmo é de andar em bicos de pés e de adormecer como uma criança.
Gostava de ter por cima de mim, um daqueles artífices com estrelas penduradas e música, como os que existem em pequenos berços encantados...Puxava, soprava as estrelas, entrelaçava-as e fazia as dançar ao som de uma musica de corda…
Se algum dia os meus átomos reencarnarem que reencarnem numa caixa de musica…estarão sempre exercitados e saudáveis se lhes der à corda… e eu por vezes serei a bailarina…
Bailarina...não precisamos de saber dançar para sermos bailarinos. Quando caminhamos pelas ruas, quando sentimos as calçadas, sentimos milhares de rodopios nos nossos pés, rodopios confortáveis que instintivamente nos conduzem para um lugar que ainda não sabemos qual é, mas deixamo-nos ir.
É bom também o frio na cara, um lenço que nos agasalha e é bom mais uma vez respirar... é importante respirar, sentir o compasso do mundo que não podemos tocar mas que nos permite sobreviver.

A ouvir: Bang Bang "It´s allright"
Psapp "Tiger, my friend"

 

É uma boa menina...


"Listening to her music, reading her lyrics, we should be thankful that someone, in times as empty, shallow and superficial as ours, dares to be this complicated, this human.And still without forgetting the importance of beauty. Melodies as precious as Stina's are a rare thing. Treasure them, hold them like your children’s' lives depended on it.If you listen to them carefully you don’t have to sleep, we can just sit here and together and watch the sun come up."
by Andres LokkoStockholm, July 2004
http://www.stinanordenstam.net/html/media.html

Monday, April 02, 2007

 

Visitar uma luz turva...




Nas costas uma almofada e um encosto de uma parede para uma musica que embala...
É bom daqui visitar o mundo.
Sentir o espaço e o tempo numa nota contínua que não começa nem acaba.
Um lugar acolhedor, numa medida que não se procura saber.
E vozes ...vozes doces que apontam fotografias em pinturas, alpendres em terra molhada e pequenas cores dispersas na luz turva de um final de tarde que fica no negro dos olhos que brilham quando respiram aquilo que sentem.

A ouvir: Stina Nordenstam "When Debbie´s back from Texas"
Trembling Blue Stars " The sea is so quiet"

 

Coisas....


Sáo coisas...nada como esta musica dos ornartos para definir "coisas"...aquelas que acontecem, desaparecem, que ficam por dizer, por fazer... há coisas que são mesmo só coisas...e houve vezes em que finais de tarde se tornaram muito mais bonitos...são só coisas...

Leva qualquer eu a meu dia
Dá-me paz eu só quero estar bem
Foi só mais um quarto uma cama
No meu sonho era tudo o que eu queria
Quando alguém deixar de viver aqui
Espera que ao voltar seja para ti
Nada vai ser fácil
Nunca foi
Quando alguém deixar de te dar amor
Pensa que há quem viva do teu calor
Hoje é só um dia
E vai voltar amanhã
E não foi assim que o tempo nos fez
E fez assim com todos nós
E não foi assim que a razão nos amou
E fez assim com todos nós
São coisas São só coisas
Se uma voz nos diz que é viver em vão
Pra que raio fiz eu esta canção
E se o fim é certo
Eu quero estar cá amanhã
E não foi assim que o tempo nos fez
E fez assim com todos nós
E não foi assim que a razão nos amou
E fez assim com todos nós
São coisas São só coisas
Eu estou bem
Quase tão bem
Vê como é com voltar a dizer
Eu estou quase a viver

Thursday, March 29, 2007

 

A Lua de Bright Eyes...


Que tal acordar com esta música? ;)...

I know that it is freezing, but I think we have to walk
I keep waving at the taxis, they keep turning their lights off
But Julie knows a party at some actor's West side loft
Supplies are endless in the evening by the morning they'll be gone
When everything is lonely I can be my own best friend
I'll get a coffee and the paper, have my own conversations
with the sidewalk and the pigeons and my window reflection
The mask I polish in the evening by the morning looks like shit
And I know you have a heavy heart, I can feel it when we kiss
So many men stronger than me have thrown their backs out trying to lift it
But me I'm not a gamble, you can count on me to split
The love I sell you in the evening by the morning won't exist
You're looking skinny like a model with your eyes all painted black
Just keep going to the bathroom, always say you'll be right back
Well, it takes one to know one, kid, I think you've got it bad
But what's so easy in the evening by the morning's such a drag
I got a flask inside my pocket, we can share it on the train
And if you promise to stay conscious
I will try and do the sameWe might die from medication, but we sure killed all the pain
But what was normal in the evening by the morning seems insane
And I'm not sure what the trouble was that started all of this
The reasons all have run away, but the feeling never didIt's not something
I would recommend, but it is one way to live
Cause what is simple in the moonlight by the morning never is
It was so simple in the moonlight now it's so complicated

It was so simple in the moonlight, so simple in the moonlight
So simple in the moonlight...

 

Duas coisas...


"Só existem duas coisas: o amor de todas as maneiras, com raparigas belas, e a música de Novas Orleães ou Duke Ellington."

Boris Vian in prologo da Espuma dos Dias...confesso que não costumo ler muitos romances e histórias de amor ...talvez porque não me conseguem "convencer"... mas quando no peito de Chloé começa a crescer um nenúfar e Colin tenta comprar todas as flores do mundo para combater o crescimento do nenúfar...

A ouvir: Jesus & Mary Chain "Never Saw it Coming" , devo dizer que estou Especialmente contente por eles também se terem lembrado de nós...


Wednesday, March 28, 2007

 

Uma audiência assustada...


"Alguém-parece que Voltaire-escreveu certo dia que "Deus é um comediante que actua para uma audiência demasiado assustada para se rir". É isso que andamos todos nós, todos os dias, sem darmos conta: demasiado assustados para nos rirmos de nós próprios e da vida, demasiado presos à superstiçao que se diz que, se nos rirmos, vamos em breve chorar. Os palhaços não precisaram de Voltaire para descobrirem como era importante não termos medo de rir, como era possivel aprender a rir, e para nos ensinarem vezes e vezes sem conta como, quando nos rimos todos juntos, ficamos menos assustados e o mundo pode mudar" .... Alice Vieira


A ouvir: Clap your Hands say Yeah "Clap your Hands"

Jens Lekman: "Pocketful of Money"

Tuesday, March 27, 2007

 

MOMENTO I
Peça de teatro

Nova Orleães, um crime, a procura de um assassino. Três plataformas que se agitam de acordo com a necessidades dos actores. Luzes suaves e vestidos vintage.
Não há palco, há um espaço central e entre os públicos opõem-se olhares. Não sei se desta vez decidirei roubar a vida dos outros, hoje não me apetece debruçar em rostos, olhares e pensamentos alheios.
Doris, Charles, Gary, Olga, July...e uma criada que canta Summertimes.
Um candeeiro com cristais que pouco reluzem no abajou.
Acedem-se e apagam-se luzes, geram-se contrastes no nada que não é novo.
“Na imensidão do Mississipi esconde-se uma vastidão de segredos”
Ida ao médico…sonhos horríveis, recordações de uma dama de olhos fechados, gargalhadas e dos tempos de Bolshoi. Termina a dança e há quem tenha culpa por ter prazer…
Duas almofadas e um espelho, a bailarina embriagada canta ”a vida é um carrossel e um amor um folha ao vento”…

MOMENTO II
Definição de Beijo: Devolução, recriação e criação da sensação produto do processo interior gerado pelo comportamento afável ou ternurento de outrem.

MOMENTO III

Voltei a roubar vidas, fotografei um menino peruano que sorria enquanto jantava.

MOMENTO IV

Noite fria, uma noite pertencente a um dia ao qual impuseram mais uma hora…e um pouco mais de tempo que derruba a imprevisibilidade aparentemente balizada em 24 horas…
Uma mesa para quatro lugares… uma mesa de pedra cinzenta, fria e rugosa à palma da minha mão.... pequenos cristais parecem pedras de gelo que brilham no meio de um cinzento implacável e mudo…parece que por vezes os estilhaços ganham beleza.
As folhas de papel tentam cerrar com a ajuda do vento o que escrevo. Talvez me devesse mesmo vedar às palavras, mas olhar para páginas em branco e nada escrever é como que partir em forma de abandono.
Tenho as mãos muito frias mas tento como que docemente que estas linhas impregnem o papel…e lembro-me de muita coisa. Precisava de falar, de dizer coisas, de ouvir coisas…as coisas de noites de luz suave e laranja, de cadeiras castanhas, despojadas e genuínas ao sentar…lugares com cheiro a poesia…
Reparo que nunca faço pontos finais…e nas minhas reticências dou conta que o silêncio é uma das melhores armas para a prisão. O silêncio e a maior fonte de hipóteses, sugestões, ideias, incertezas, devaneios… como que construissemos um segredo que nos pertence.
A ouvir: Sigur Rós: Ný Batterí
Como alguem clepsidrico diria, Sigurós e Agarrarós;)

Tuesday, March 20, 2007

 

Lembraram-se de nós...e nós queremos é musica...



"Ginginha com tal virtude é dificil de encontrar..."
Parece que afinal os artistas conseguiram nos encontrar e todos ao mesmo tempo....
No mesmo ano Cibelle, Bloc Party, Arcade Fire, Interpol, Maximo Park, Lcd Soundsystem, Andrew Bird, Cocorosie, Yann Tiersen, Magic Numbers....(é por isso que se calhar ja se vendem bilhetes para o sudoeste sem haver cartaz....)
Sim, estamos aqui ao cantinho e de ouvidos bem abertos;)....e esperamos pelos artistas...

A ouvir: Magic Numbers "Anima Sola"

E verdade PJ se me estiveres a ouvir, aproveita e aparece também;)

Friday, March 16, 2007

 

Haviam...."Palavras"...



Havia alguém que fazia contas de somar e subtrair com os traços brancos da estrada.
Havia alguém que fazia rimas métricas com as feições dos desconhecidos
Havia alguém que escrevia todas estas coisas sobre as “As Palavras” de Sartre, usando o livro como base para a firmeza de uma folha de papel e uma caneta. Um livro oferecido por alguém que tinha descoberto uma herança bondosa. Uma oferenda num sítio de passagem, num dia de Inverno e com telescópios que definiam estrelas…
Havia alguém que ouvia Perry Blake e recitava poemas.
Havia alguém que caminhava ao ritmo da queda do sol e ouvia musica enquanto o mar lhe rebentava nos pés e acordava o corpo.
Haviam desencontros, pessoas longe e que permaneciam tão perto.
Haviam palavras que nunca preenchiam os dias, talvez por serem demasiado curtos ou longos para que neles se pudessem deleitar.
Haviam discos riscados que faziam prender segundos de sons que já não se queriam ouvir.
Havia alguém atrás de uma secretária que falava de livros, cidades, profissões e surrealismo.
Havia um pisa-papéis com gotinhas de água dentro e um candeeiro com um alfinete de dama.
Havia uma caixinha azul oferecida que fazia recordar bons momentos e um cubo desdobrável de fotografias de Helsínquia, três elefantes de madeira e uma lua quadriculada.
E há sempre alguém que dança e alguém que sonha.


A ouvir: Perry Blake "Still Lives"
Um beijinho para a Isabel ;) ...

Wednesday, March 14, 2007

 

Só faz bem e não faz mal....

Uma cósmica tarde de Domingo no Chapitô....;)


E porque também é bom ligarmos aos aspectos mais práticos da vida , aqui vai uma bela de uma receita...

Receita de Vinho Quente

- 1 1/2 xícara (chá) de açúcar - canela em pau - 10 cravos da índia - raspas de casca de laranja - raspas de casca de limão - 1 L de vinho tinto ou seco - 1 xícara (chá) de água - 1 maçã cortada em cubinhos
Modo de Preparação
Ferver todos os ingredientes por cerca de 10 minutos até que os sabores sejam extraídos para o vinho. Sirva de preferência em canecas de barro e bem quente.


A ouvir: Remy Zero "Fair"


Friday, March 09, 2007

 

Um cardápio









Numa sexta feira como esta, preciso de:

A ouvir: Cocorosie: "Terrible Angels"


Thursday, March 08, 2007

 

Lembram-se?...Release me....


I see the world.
Feel the chill.
Which way to go? Windowsill.
I see the words on a rocking horse of time.
I see the verse in the rain.Ohh.
Oh, dear dad can you see me now?
I am myself like you somehow.
I'll ride the wave where it takes me.
I'll hold the pain. Release me.Ohh.
Ohh I... Ohh. Ohh.
Oh, dear dad can you see me now?
I am myself like you somehow.
I'll wait up in the dark for you to speak to me.
How I've opened up. Release me.Release me. Release me dad. Release me.
Ohh. Ohh I... Ohh. Ooh. Ooo.

Pearl Jam...bons e velhos tempos....

Wednesday, March 07, 2007

 

A scenic world


the lights go on
the lights go off
when things don't feel right
i lie down like a tired dog
licking his wounds in the shade
when i feel alive
i try to immagine a careless life
a scenic world where the sunsets are all breathtaking

Beirut...obrigatório ouvir...

 

Uma aguarela...


Numa noite em que perco o rosto, tento compreender o céu, encontrar pedras de calçada onde me firmar.
Há noites inesperadas, encontros que esvoaçam em diferentes aguarelas que se diluem nalgum lugar, longe de nós, onde o silêncio ainda não conseguiu chegar.
Há noites em que são revelados nomes e mundos interiores, em que se borram ideias, em que se desvanecem todas as primeiras palavras e permanece apenas uma poesia nua e distraída ao olhar.
A ouvir: Willard Grant Conspiracy: "Another Lonely Night"
(uma aguarela comprada a uma senhora filandesa chamada Ula... numa livraria muito especial...;)

Wednesday, February 28, 2007

 

Um castelo para uma lua...


Uma palma de mão suave e forte, gesticula marionetas para acordar o seu próprio percurso.
Um olhar num espelho, uma íris particular vê um bobo de si mesma.
Baixa os olhos e sussurra imagens, lança com o calor da sua voz fogo ao artifício de si mesma.
Dá um passo e afasta-se do espelho. Senta e recorta-se em pedaços de madeira, experimenta a sua própria seiva. Desamarra as cordas que tal como amarram piões prendem os seus rodopios aos murmúrios e ideias nocturnas.
No fundo tem sorrisos encadeados que se estendem em acordeões de sentimentos.
No fundo, bem lá no fundo, tem também um castelo e sopra para encher a lua.

A ouvir: Isobel Campbell and Mark Lanegan "Saturday´s Gone"





 

Lilac Wine



27 de Fevereiro de 2007. Sete e meia da tarde. Rato. Sinal vermelho. Na radio...nina simone...lilac wine... e agora Jeff Buckley...

Lilac Wine...

I lost myself on a cool damp night
I gave myself in that misty light
Was hypnotized by a strange delight
Under a lilac tree
I made wine from the lilac tree
Put my heart in its recipe
It makes me see what I want to see
And be what I want to be
When I think more than I want to think
Do things I never should do
I drink much more that I ought to drink
Because it brings me back you
Lilac wine is sweet and heady,
Like my love
Lilac wine, I feel unsteady,Like my love
Listen to me,
I cannot see clearly
Isnt that she, coming to me
Nearly here
Lilac wine is sweet and heady,
Wheres my love
Lilac wine, I feel unsteady,
Wheres my love
Listen to me, why is everything so hazy
Isnt that she, or am I just going crazy, dearLilac wine,
I feel unready for my love
Feel unready, for my love.

Friday, February 23, 2007

 

Um instante de dois....


Pelas palavras de Cibelle "Um instante de dois" conta a história de um homem apaixonado que costumava muitas vezes tomar chá com a mulher que amava...
Um dia ela decidiu ir embora e ele...ele continou a tomar chá...
Pois é... pequenas coisas conseguem recolher muitos instantes da vida...
E a Cibelle deu-nos um grande, grande instante...


Thursday, February 22, 2007

 

Intimidade das horas...


Existem horas íntimas
Em que a noite ao parir a lua
Derrama estrelas
E mascaramo-nos com a morte do tempo

Aconchegamo-nos em cobertores
Afagamos a noite com a mascara da serenidade
Tudo parece próximo
E não há lágrimas que se perdem
Mas lágrimas que sorriem

A horas indevidas, a horas intimas
Existem lugares que são marimbas
E Flautas mágicas que embriagam a vida
Existem momentos que apenas são momentos
E o sangue, o sangue circula intimamente como a luz no escuro


A ouvir: Jeff Buckley " Lilac Wine"


 

Uma arpa...

Sonhei que tinha uma arpa e que a tocava para a minha cidade
Sonhei que alguém ouvia, se comovia e se deixava perder nas ruas...
E as nuvens negras que se tocavam continuavam a esconder o som da chuva...

A ouvir: Sufjan Stevens " For the widows in the paradise..."

Tuesday, February 20, 2007

 

A ouvir...

Na véspera de não partir nunca
Ao menos não há que arrumar malas
Nem que fazer planos em papel,
Com acompanhamento involuntário de esquecimentos,
Para o partir ainda livre do dia seguinte.
Não há que fazer nada
Na véspera de não partir nunca.
Grande sossego de já não haver sequer de que ter sossego!
Grande tranqüilidade a que nem sabe encolher ombros
Por isto tudo, ter pensado o tudo
É o ter chegado deliberadamente a nada.
Grande alegria de não ter precisão de ser alegre,
Como uma oportunidade virada do avesso.
Há quantas vezes vivo
A vida vegetativa do pensamento!
Todos os dias sine linea
Sossego, sim, sossego...
Grande tranqüilidade...
Que repouso, depois de tantas viagens, físicas e psíquicas!
Que prazer olhar para as malas fítando como para nada!
Dormita, alma, dormita!
Aproveita, dormita!Dormita!
É pouco o tempo que tens! Dormita!
É a véspera de não partir nunca!

A ouvir: Margarida Pinto " Na véspera de não partir..."


Tuesday, February 13, 2007

 

Depois de "Quando regressares, não importa a data a minha cama acomodar-se-á à tua velhice" e de "Atenção ao Dominio das coisas esquecidas", por fim "Eu chamo-me Erik Satie como toda a gente"....há nomes que preenchem e dão sentido ao anonimato da humanidade...
Algumas frases escritas nos azulejos "Da Mariquinhas"....um bar que é uma livraria de poesia...
http://www.da-mariquinhas.blogspot.com/
A ouvir: Erik Satie....

Friday, February 09, 2007

 

O mundo inteiro...

Porque há anseios que querem ser sonhos e apontamentos que querem ser música
Porque o mundo não quer ser redondo, mas quer ter a forma de eternidade
Porque há estradas sem viagens
Vidas sem nome e palavras com poesia
Cemitérios de erros onde a memória é amante do esquecimento
Porque por vezes tudo o que apetece é ter uma flor em vez do coração
Viver à luz da sua cor quando essa cor se torna o nosso chão
E porque existem desejos que são perfeitos
Levo o meu mundo em busca do mundo inteiro.

A ouvir: Beirut "After the curtain"


Monday, February 05, 2007

 
"Breathe Me"...SIA

Simples, intenso, bonito, arrepiante...Algo que gostava de partilhar...
Vale bem a pena ver também os ultimos nove minutos de sete palmos de terra...

Sunday, February 04, 2007

 

Domínio das Coisas Esquecidas...














Nunca esquecer o domínio das coisas esquecidas.
Um conselho.
Uma duvida.
A quem pertence o domínio das coisas esquecidas?
Respostas.
Falta de respostas.
Nunca esquecer o domínio das coisas esquecidas.
Recordam-se quando as pensamos ter como esquecidas.
Faltam-nos quando as pensávamos lembradas.
Viajam num domínio onde queremos ter um lugar.
O domínio das coisas esquecidas.
Uma dúvida.
Onde está o domínio das coisas esquecidas?
Respostas.
Veios das calçadas.
Dedadas nos espelhos.
Serpentinas rasgadas.
Bolas de sabão desfeitas no ar.
A lama que sobrou nos sapatos.
Falta de Respostas.
Nunca esquecer o domínio das coisas esquecidas.
Um conselho.

A ouvir: Devendra Branhart "Autumn´s Child"



Thursday, February 01, 2007

 

Um lugar perto...

Sempre pensei ser fácil escalar, subir e descer montes em busca de uma qualquer parte do mundo.Da minha janela e aos meus cinco anos, calculava atravessar fronteiras em dez minutos.O mundo era um lugar perto. Apercebi-me que o mundo continua a ser um lugar bem perto e a vida um lugar bem longe....

A ouvir: PJ Harvey: Send his love to me


Monday, January 29, 2007

 

A ouvir...

O regresso dos Bloc Party...eles têm mesmo "quelque chose"...
"Weekend in the City foi inspirado pelo interesse do vocalista Kele Okereke naquilo que chama “o barulho vivo da metrópole”...
Para mim, o que marca mesmo os Bloc Party é a autencidade e descarga energética com que fazem música e é isso que faz com que a música por eles tocada, tenha mesmo uma vida e linguagem própria.
Parece que captam mesmo todos os "barulhos vivos" ..e eu já tinha saudades de ver garra a revirar o quotidiano...
Obrigatório ouvir...

Sunday, January 28, 2007

 

A tela dos lençóis...



Sem data, está marcado um regresso.
Uma cama feita com lençóis com poemas escritos à mão.
Eles esperam por ti e mesmo que eu já não esteja, quem quer que tu sejas, há um espaço onde te podes deitar e conheceres muito mais de mim, do que mesmo se tivesse a teu lado.
Lê cada poema, fui eu que escrevi. Lê devagarinho, tens todo o tempo, mesmo antes de me afeiçoares ou me dares um beijo, lê…foram escritos para ti.
Roubei ao mundo para te dar. Colhi tudo o que pude ver.
Saqueei estações de comboio, de metro, ruas, cafés, praças, corredores, casas, vozes, palavras, conversas de mesa, luzes.
Tornei como meus os cardápios, passagens em calçadas, avisos puxados por avionetas, pedaços de jornais, símbolos, fotografias, marcas deixadas pelas solas de sapato, o tempo nos relógios, o barulho das máquinas de café, a chuva, as partículas de pó que iluminadas pelo sol formam os seus raios, as faces da lua, pétalas, poças de água e todos os grafismos que são deixados nas paredes da cidade…
Impus aos meus sentidos tudo o que por mim passava e tudo passei a limpo para poemas que esperam nos lençóis por ti.
Sim, escrevi em poemas, pois penso ser a forma mais bela de roubarmos ao mundo e devolvê-lo a alguém, a quem quer que seja.
Não fosse a beleza, não deixaria que as manhãs me coagissem para mais um dia…um dia agendado sem data, para um qualquer regresso.
E se puderes e encontrares algum espaço em branco na tela dos lençóis, faz por me lembrar que passaste por cá.
Acomodar-me-ei às tuas palavras.

A ouvir: Bright Eyes: Don´t Know When but a Day is Gonna Come

Thursday, January 25, 2007

 

Com um pedaço de pano...


Uma casa e uma árvore construídas pela rugosidade do tempo.
Uma janela traz a clareza para respirar e de um cortinado faço um pano para colorir as violetas que lá fora rasgam a terra.
Tenho também uma cadeira que faz de baloiço, onde me costumo sentar e de vez em quando vendo os olhos e solto as palavras que fogem pela escuridão das pálpebras.
Não tenho muitos objectos em casa, tenho manchas de todas as cores e essências e com o céu faço um tapete azul onde me estendo.
Tenho um cesto onde guardo truques e todas as oferendas perdidas e achadas em viagens.
E lá fora, um estendal onde se penduram pedaços de nós colhidos em frases e se estende o charme guardado num bolso para o mundo.
No jardim uma pá de areia para construir ideias, moldadas pela verdade e transparência das palmas das mãos que de tão encobertas são tão luminosas.


A ouvir: Brian Kelly "She is dancing"

Tuesday, January 16, 2007

 

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oki, agora divirtam-se...ou entao não;)...

A ouvir: Stina Nordenstam "Parliament Square"

Friday, January 12, 2007

 

O Parto de Uma Viola


Parece que hoje o crepúsculo baixa à Terra, move-se entre árvores e campos e pinta telhados.
Pinta telhados e bofeja as casas de entradas que delas não se desamarram, tal casita clara de sete portas e três janelas que se dilui na paisagem.
Dentro da casita, uma viola dá à luz, pariu a natureza em forma de sons... nasce um pato, um violino e um insecto.
Nos campos cavaleiros continuam a percorrer o mundo, continuam a ser perseguidos pelas formas e cores desfiguradas pela velocidade da viagem... os musculos contraem-se e esmagam sangue.
E a casa...a casa, perpetua a construção de tentáculos que abraçam castelos, pontes, entradas...tentáculos que libertam montanhas.

" A arte tal como a sinto é um produto emotivo da natureza." " Ninguém deixa de fazer uma obra de arte intensa por falta de técnica mas sim por falta de intensidade" Amadeo de Souza-Cardoso

Uma tarde de escrita com o Next- Art na exposição de Amadeo Souza-Cardoso...

A ouvir: Cibelle "Arrête Là, Menina"...que bem que me soube ouvir no planeta 3, no domindo à noite, regresso a Lisboa


Saturday, January 06, 2007

 

O albergue das coisas...


Sirius...Sirius é a estrela que mais brilha… no Egipto há 3750 antes de Cristo, alinhava-se com a estrela Canopus no rumo Sul ao centro da Via-Láctea exactamente às 24 horas sobre as Pirâmides de Guiza. E até os dias de hoje, anuncia um novo ano...
Apesar de esta luz não ser esta a estrela de Sirius e apenas resultado da má definição da câmara de um telemóvel… foi uma luz brilhante, confortável, construtiva à chegada dos nossos passos numa das noites viajante pelos dias do ano que passou... ou melhor dizendo do ano que continua…a natureza é movida por ciclos e continuidades…


“ O céu e a terra são o albergue da passagem de todas as coisas. O tempo é o hóspede em trânsito de todas as gerações. Que alegrias podemos ter se flutuamos na vida como um sonho?
Boas razoes tinham os antigos para, empenhando tochas, até à noite para aproveitarem para viajar”….
“Compreendi que o passado não pode ser corrigido mas sei também que o futuro pode ser bem aproveitado. Na realidade o caminho em que me perdi não era muito longo. Sinto que hoje estou certo e ontem estava errado”…
“Desenrolamos esteiras requintadas e, sentados entre as flores, passamos taças de vinho e embriagamo-nos sob a lua”
“ Se alguém houver que não seja capaz de escrever um poema terá de ser castigado segundo as regras do Jardim Jin-Gu, pagando uma multa de três copos de vinho”…..

(Jardim Jin Gu- um jardim onde se organizavam banquetes para os convidados comporem versos.)
Excertos retirados da colectânea " O Rosto do Vento Leste"...um grande beijinho de obriiigado para a Ana Mage ;)...
A ouvir: The Shins- A Comet Appears

Saturday, December 30, 2006

 

Metamorfose Ambulante


Este o meu photomaton de 2006.... onde ficaram registados alguns momentos pela mão das mais engenhosas objectivas...
E sendo o ano o espaço de tempo que a terra gasta numa translação completa ao sol... a medida de tempo ficticiamente criada para nos orientar ou desorientar a vida, o que é certo e que para trás ficam 365 dias...para mim faria mais logica festejar ciclos naturais e ceder às boas festas pagãs...;)

À parte disso, o que desejo para todos e nas palavras da musica de Raul Seixas, é que sejam umas verdadeiras metamorfoses ambulantes...que é o que tento mais ou menos ser...;)

Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator
É chato chegar a um objetivo num instante
Eu quero viver essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Como o que gosto é mesmo de música( não que me dêem musica), para mim a mãe de todas as artes...aqui deixo alguns temas de 2006, que fizeram parte da minha banda sonora pessoal:

e porque muitas vezes me ajudou a acordar - Love Like Semtex- Infadels...;)

a intemporalidade de Nina Sinome, Sia, Jesus and Mary Chain, Cure, Smiths, Jeff Bucley, dEUS, Pj Harvey e Morphine...entre tantos outros que nos fazem lembrar... There is a Light that never goes out...
E continuem a refastelar-se no meu sofá...é sempre um prazer...

Thursday, December 21, 2006

 

Natal…
Mês de Dezembro, mês doze, ultimo mês do nosso calendário…O Inverno torna-se mais robusto e o frio passeia-se connosco nas ruas…e sabe bem sentir alguma aragem fresca no rosto e o agasalho quentinho no corpo…

Não me recordo de ter acreditado alguma vez no Pai Natal, acho que sempre percebi que os presentes eram postos pelos meus pais e avós, e o mais engraçado e que não me sentia minimamente mal com isso, dava-me à mesma aquele nervoso miudinho...e quando via alguém vestido de Pai natal, não sei bem porque sentia uma certa dose de respeito, é como que em certa altura ele tivesse de facto existido e agora necessitasse de ser lembrado, tal como as grandes figuras históricas e religiosas e quando alguém me dizia que existia, eu aceitava porque pensava que era uma dessas demostraçoes de respeito…à parte disso houve um ano que Um Pai Natal me deu imenso jeito…perdi-me numa festa de Natal e o Pai Natal pôs-me a cantar no palco o "Atirei o pão ao gato” para ver se os meus pais me viam….no fim ainda tive direito a um careca! A seguir à estação de serviço de carros com elevadores do meu irmão e ao caleidoscópio, era o meu brinquedo preferido, normalmente acompanhado dos "coitados" sapatos de verniz da minha mãe que tantas vezes estraguei o salto…era uma pequenita senhora, ia de acordo com as minhas supostas funções futuras…;)
Bom, à parte de tudo isto e não querendo ser um lugar comum, incomoda-me mesmo esta confusão toda, a correria instalada da busca ao presente perdido…incomoda-me ver todos os sítios apinhados de pessoas, sacos e carros …
Por isso o que desejo mesmo foi algo que já perdi um pouco: o doce cheiro a Inverno, a presença bonita e tímida das luzes da arvore de natal, o aconchego das pessoas que mais gostamos…isso sim, sabe bem…se quiserem aproveitem e façam um miminho a alguém que realmente gostavam de fazer, porque sabem que ira mesmo gostar do “tal”presente…


A ouvir: Danças Ocultas

Tuesday, December 19, 2006

 

Ao pensamento...












Pinturas de Cátia Monteiro

"A nossa cabeça é redonda para permitir ao pensamento mudar de direcção." Francis Picabia .... Frase recebida no mail/newsletter de desejo de boas festas da Editora 90º, de Susana Vazquez...um muito obrigado....

A ouvir: Jeff Buckley "The boy with the thorn in his side" (cover Smiths)....muito bom...ao bom gosto de Jeff Buckley...

Wednesday, December 13, 2006

 

I´m caught in the flow of things...


deus- Serpentine

I'm caught in the flow of things
My memory's a broken machine
This is how my day begins, This is just one day unseen
Lets do it serpentine any time Lets do it right here
It is bad that you're good for me
Did I love you just randomly?
I'm caught in the flow of sound
And you're just some melody
Let's do it serpentine, any time Let's do it right here
There's a cute little litany
Put it on my shoulder
Eight o'clock and we agree
It makes me look much older
Got my clockwork company
Got my dark green trenchcoat on
I'm sure it will always be, Someone staying and someone gone

Monday, December 11, 2006

 

Fechaduras que brilham...


Soltar Palavras
Soltar circunstâncias
Sentir o brilhar das fechaduras
Das portas que mesmo assim se fecham

São Lugares que se comprimem demasiado
Num dicionário não decifrado

Paisagens muito acima da nossa visão
Cadeiras muito gastas no alojamento do corpo

E assim por vezes
Pequenas lâmpadas demasiado sensíveis ao toque
Apagam virtudes e chamas
Acedem rastos de noites
De trilhas com gente
Em que os valores fomos nós
Em que bastou uma mesa, um abraço, um beijo
Em que se perdeu a divisória para a realidade
E no desvanecimento, numa protecção despojada
Uma lembrança até hoje.


A ouvir: Iron and Wine: Such Great Heights



Wednesday, December 06, 2006

 

Frases Justas...


É com muito gosto que deixo aqui algumas Frases Justas, que segundo o mail que recebi... "uma lista de frases fantásticas que preencheram o espaço "Eu manifesto" (para quem não esteve na festa Bio Pop organizada pela Cores/Comércio Justo no dia 25.11 no Crew Hassan, tratava-se de um espaço com um papel de cenário afixado na parede, onde se podia escrever à vontade com marcadores).
Devo dizer e com orgulho que algumas são de minha autoria e da minha amiga Catia, (essa grande artista de variedades) especialmente inspiradas por uma bebiditas justas...e mais uma vez, não se esqueçam..."Ouçam Morphine...é justo" ( como já nao me lembrava que o tinha escrito, achei lindo...) o ultimato da Cati ao Bubu é fantástico...

Eu manifesto... (recolha de manifestos livres, registados no papel de cenário)

A ouvir: como não poderia deixar de ser....Morphine...


Thursday, November 30, 2006

 

Da uma da noite às oito da manhã


E porque amanhã,os Naifa irão actuar no Teatro Maria Matos... e porque esta foi uma das músicas que neste ano mais soou na minha banda sonora pessoal ...e porque a acho intensa, despojada, sensível... E porque três minutos antes de a maré encher por vezes ficamos presos em "plenas capicuas", sendo-nos dificil sobreviver a um "coração míope".... porque a "verdade apanha-se com enganos"


Da uma da noite às oito da manhã a mulher tem as mãos
Entaladas no parapeito da janela.
O marido agarra o estrado com os olhos
Dorme sem almofada

A empregada que vem passar a ferro
Tem uma intimidade na ficha do despertador
Entra às oito da manhã.

A empregada entala os pés do homem
Nas grades da cama.

Liberta a senhora
Fecha a porta do quarto à chave
Deita-a para uma cascata.

 

Mário Cesariny...





Uma poesia pura, em que cada palavra tem uma carga genuína, fraterna com o sonho e liberdade do mundo interior...




Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas,que esperam por nós
E outras frágeis,que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens,palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras,surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.



Pastelaria

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio

nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo:

fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome

porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

Tuesday, November 28, 2006

 

Inverno...




" O Inverno é o estação do frio; não só o frio que enregela os animais, mas também o frio de cujo significado profundo e interior nos apercebemos apenas em raros de momento de medo ou de solidão (....) Apesar das carambolas, mochos, águias e aves aquáticas, a poesia do Inverno e sobretudo a poesia da imobilidade e do silêncio"

Parece que chegou mesmo o Inverno...ja tinha saudades...adoro dias extremamente frios e de ceu completamente limpo...os dias que só se conseguem mesmo de Inverno... quando chego a este mês e por ser a estação em que nasci, construo sempre uma rebobina do que se passou e há sempre tanto por fazer....mas como diria Vila-Matas "A vida é demasiado breve para se viver o número suficiente de experiências: é preciso roubá-las..."

A ouvir: The Jesus and Mary Chain " Come On"


Monday, November 27, 2006

 

Sobremesas...



Do Acidente e da Culinária…uma descoberta feita numa das prateleiras do Crew Hassan, que mais uma vez acolheu uma festa do comércio justo no passado Sábado…
Embora nos tenha sido difícil de imediato descortinar o titulo curioso e a intenção do livro, uma coisa é certa….as ilustrações de João Cabaço estão fantásticas…
Esta foi uma das ilustrações, em que a ingenuidade dos traços agarram o olhar…uma enorme mancha negra preenche o espaço, uma mancha em forma de guarda-chuva, em forma de noite, em forma de sombra, em forma de um contraste que muitas vezes e de forma única preenche o que há a preencher…
Do acidente e da culinária…. Ouvi dizer que o talento é uma maravilhosa sobremesa…

A ouvir: Clap your Hands Say Yeah: Over & Over Again (Lost and Found)


Tuesday, November 21, 2006

 

Raios Cúbicos e Rodas Gigantes...





Um cansaço,
um abandono de palavras
simétrico ao desamparo do tempo
por vezes é o que basta

falas-me de réguas ou geometrias variáveis
raios cúbicos
rodas gigantes
e eu não entendo

o meu cérebro prensado como uma tábua de salvação
arrisca dizer que te ama

Estas repousado num girassol que persegue o sol,
Mascaras-te de luz, crias poemas que eu não leio.

A ouvir: Girls in Hawai " The Fog"


 

A Prisão e Paixão de Egon Schiele...


"A esta hora em que a noite é uma seringa partida. A esta hora em que os pulmões são de seda e o sangue circula muito devagar. Eu não estou.

Pode ser a chuva numa esplanada ou, ao invés, o carro que trava o tempo da primavera. Não importa.

A noite é uma especiaria que acende os corpos.

Há três dias que durmo desordenadamente. Transpiro e acordo e vejo casas que são desdobramentos da minha própria casa. A verdade é que preciso de ti para um poema. Preciso que te passeies por uma dessas casas, que te sentes, que te deites. Preciso olhar para ti durante 27 segundos"....

Um dos livros mais bonitos de poesia....Vasco Gato in Prisão e Paixão de Egon Schiele...

 

E perguntou...



"Quem consegue desligar-se do mundo e sentar-se comigo no meio de nuvens brancas?"

Han- Shan in Vagabundo do Dharma



Manhole- Arte de decorar tampas de esgoto

 

Alguns momentos...


Algures no trânsito....

 





Quiz na Barraca...e uma boa amendoa amarga...

 



O pôr de sol do Next-Art...vale bem a pena...bastante inspirador...

 

Uma bela tarde por Aveiro... oves moles e artesanato urbano...

Monday, November 06, 2006

 

1933...


Ano de 1933…

…No ano em que o Parlamento Alemão é incendiado por um louco holandês, em que Adolf Hitlher chega ao poder na Alemanha, em que é criado o avião Boieng 247, e acontece a primeira micareta do mundo em Jacobina Bahia…
… No ano em que o premio Nobel da literatura e paz vão directamente para Ivan Bunin e Norman Angell, em que quase é editada a “Ideologia Alemã” de Marx e Engels…
…No ano em que nasce Siza Vieira, Ary Fontoura e a Yoko Ono…
….Nasce também a 13 de Setembro de 1933, a minha avó…

Quis lhe tirar uma fotografia especial…queria que fosse o mais natural possível e não uma simples postura para a objectiva…mas também não queria apanhá-la desprevenida, como dantes, quando em pequena a apanhava em combinação…eu sempre achei romântico e bonito alguém de combinação; quando olhava para a minha avó, imaginava-a em salões acompanhada de cavalheiros ou então imaginava-a na praia, a banhar-se com tais românticas vestimentas…Acho que nunca tive tempo de lhe explicar o que via…como é óbvio, zangava-se antes de qualquer justificação…
Foi então que no outro dia, ao apanha-la na hora certa, convencia-a à experimentar o espaço com a mão…é a Mão da minha Avó… a mão que protege a objectiva do sol para não queimar a fotografia e que absorve um pouco do seu calor para me dar...

A ouvir: Tom Waits: “I´m still here”

 

E mais uma vez relembrando...


“A luz irrompe em lugares estranhos, nos espíritos do pensamento onde o seu aroma paira sob a chuva; quando a lógica morre, o segredo da terra cresce em cada olhar e o sangue precipita-se ao sol”

Excerto de “A Luz irrompe onde nenhum sol brilha”
In “A Mão ao assinar este papel” de Dylan Thomas

(…) É impossível saber quando cairá o crepúsculo, impossível enumerar todos os casos em que o consolo se fará necessário. A vida não é um problema que pode resolver-se dividindo a luz pela escuridão ou os dias pelas noites, mas sim uma viagem imprevisível entre lugares que não existem. (…)
(…)“ Decido encher todas as minhas páginas em branco com as mais belas combinações de palavras que seja capaz de engendrar. E depois, porque quero assegurar-me que a vida não é absurda e não me encontro só sobre terra, reúno-as todas num livro e ofereço-o ao mundo. Este, retribui-me com a riqueza, a glória e o silêncio. (…)
Faça o que fizer, poderia muito bem fazer outra coisa. Não é isso que importa. Importa é saber-se livre como qualquer outro elemento da criação. Importa é saber-se um fim autónomo, que repousa em si mesmo como uma pedra sobre a areia (…)
(…) Mas onde está hoje a floresta na qual o ser humano prove de que pode viver livre, e não limitado pelos rígidos moldes da sociedade? Sou obrigado a responder: em parte alguma. Se desejo ser livre, é por enquanto necessário que o faça no interior desses moldes. Sei que o mundo é mais forte do que eu. E para resistir ao seu poder só me tenho a mim. O que já não é pouco. Se o número não me esmagar, sou, também eu, um poder. E enquanto me for possível empurrar as palavras contra a força do mundo, esse poder será tremendo, pois quem constrói prisões expressa-se sempre pior do quem se bate pela liberdade. E no dia em que só o silêncio me restar como defesa, então será ilimitado, pois gume algum pode fender o silêncio vivo. Este é o meu único consolo. Sei que as recaídas no desespero serão profundas e numerosos, mas a lembrança do milagre da libertação leva-me como uma asa a um fim que me inebria: um consolo que seja mais do que apenas isso, e mais vasto que uma filosofia: que seja, enfim uma razão de viver.”

IN
“A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer”
Stig Dagerman

A ouvir: dEUS- “Serpentine”


Saturday, November 04, 2006

 

Onde a poeira se mistura com o sal...


Do mar…acredito que no profundo do mar, onde a poeira se mistura com o sal, existam cortinados entre os corais, cortinados que os separam para dar intimidade aos maiores espaços de amor que existem…de lá nascem incontáveis e prodigiosos organismos que permanecem para sempre na ternura e carinho das águas.

A ouvir: Morphine " Take me with you"

 

Esculpir Imagens...

Agora em que as cordas conseguem ser castelos o som torna-se mais forte.
O céu está extremamente azul, hoje não consigo fazer esculturas com as nuvens.
O chão está fresco e uma aragem beija-me a face....

....Sente o vento empurrar as nuvens
Dança com elas
Deixa arrastar o corpo no seu sopro
Convive com ele e ao desenhares no céu
Aproveita e esculpe imagens
Experimenta os seus estilhaços
Sente o voo apertado faminto de qualquer luz
Parecido contigo e com outrem que descarrega em ti
A presença de um outro ser...



A ouvir: Russ Columbo "Guilty"

Friday, November 03, 2006

 

FERLOSCARDO

FERLOSCARDO
Novo Circo-Ribatejano

A fuga e encontro de luzes…seis lâmpadas suspensas que se cruzam infinitas vezes sem se encontrarem…sensível, cativante, mágico…um cenário compassado por hábeis tons de musica que intimamente acompanham os movimentos dos corpos e a criação de espaços…ora iluminados…ora presentes na memória e alimentados na nossa imaginação…
Gostaria de saber definir e expressar melhor todas as sensações experimentadas…mas é mesmo complicado adjectivar algo quando nos surpreende ao fazer crescer as nossas percepções…é mesmo
Obrigatório ver….
Um conceito, criaçao e execução de Fernando Romão e Carlos Oliveira; Direcção musical de Bruno Pernadas; Música - Bruno Pernadas, David Leitão, Ricardo Ribeiro e João Correia

A ouvir: Orquestrinha do Terror ;)




 

E relembrando....


Relembrando e agradeçendo...há de factos homens que nos ensinam a pensar...


"Meço-me
Contra uma árvore alta.
Acho que sou muito mais alto,
Pois chego mesmo até ao sol,
Com os meus olhos;
E chego à praia do mar
Com os meus ouvidos.
Todavia não gosto
De modo como as formigas rastejam
Para dentro e para fora da minha sombra."

In Ficção Suprema
Wallace Stevens


Distracções de Doente


"Por vezes, quando me sinto em baixo e, sempre sozinho na cama, presto-me homenagem com a mão esquerda. Para que ela mexa tenho de forçá-la um pouco. Mas desde que começa, continua com um natural desejo de agradar-me. São tantas as genuflexões e graciosidades que me dirige, que até mesmo um terceira pessoa ficaria comovida."

In
As Minhas Propriedades
Henri Michaux


"Viajar, se não cura a melancolia, pelo menos purifica. Afasta o espírito do que é supérfluo e inútil; e o corpo reencontra a harmonia perdida- entre o homem a terra.
O viajante aprendeu, assim a cantar a terra, a noite e a luz, os astros, as águas e a treva, os peixes, os pássaros e as plantas. Aprendeu a nomear o mundo.
(….)
E enquanto acelerava o passo, descobri que a calma nem sempre tem força para construir um destino, não põe a vida em movimento.
(…)
Há homens com quem se pode aprender a ver aquilo que dentro de nós existe e não sabíamos.
Reconhecêmo-los pelo olhar. Quando se aproximam a noite reflecte-se clara nos seus rostos. Têm gestos lentos, precisos, como os dos deuses marinhos que habitaram, além do mar rente à ilha."

In
Anjo Mudo
Al Berto

Friday, October 27, 2006

 

Todos os que sem sono...


Quando morrer vou desenhar uma constelação, será a de todas a que mais brilhará e estará disposta aos desejos de todos os que sem sono quiserem sonhar…
Provocarei um naufrágio de estrelas cadentes, deixarei que se afoguem nelas, aqueles que quiserem sentir o que é a dinâmica do mundo, os que quiserem viajar pela verdadeira verdade que está dentro deles….

A ouvir: Cibelle “Phoenix”

Thursday, October 26, 2006

 

Um sopro para um candeeiro...


Hoje queria ter uma campânula de vidro, respirar para dentro dela e com o vapor criado, desenhar e escrever.

Apetecia-me também atear com um só sopro, vários candeeiros a gás fazendo de saltimbanco numa cidade, tendo uma mala com variados truques, chocolates e chás de várias cores e sabores.

Apetecia-me ligar para um número desconhecido do outro lado do mundo e dizer que sou eu.

A ouvir: Richard Swift- "Lovely Night"




Tuesday, October 24, 2006

 

Uma semente quando morre...


As montanhas contam histórias de passageiros que nunca esqueceram as pegadas, que viajaram por cumes, deles voaram até aos frutos de uma árvore qualquer, nela libertaram-se, caíram de maduros, repousaram na terra e cresceram numa semente.

As sementes contam que foram abertas, dissecadas e ofereceram a alguns solos partículas quase infinitas que inundaram os terrenos e areias até ao mar, onde se afogaram e se depositaram num coral, servindo de oferenda a todos os seres marítimos.

Há quem diga que todos os seres marítimos quando morrem, nunca deixam o mar, nem precisam de alcançar o céu atmosférico…tornam-se estrelas do mar…

A ouvir: Craig Armstrong: "Childhood"

Sunday, October 22, 2006

 

Luzes Laranjas...


Penso eternamente em luzes laranjas e num café nocturno de poesia que em certos momentos me preencheu. Por vezes quando me sinto só neste meu mundo interior, sento-me no meu pequeno baloiço e acordo as minhas lembranças.
Hoje tenho dentro de mim, notas de jazz…inúmeras notas e cantos… a noite oferece-me destas coisas quando me embebedo de sono e paixão por algo.
O silêncio das vozes que ficaram lá fora, a amargura levou-as para longe…trago em mim a ternura perdida das horas, o frágil nome das coisas.
Sinto a fluência do acaso das palavras, sinto-me eu e mais ninguém.

A ouvir: Calexico – “Ghost Writer”

 

A Concubina Chuva



A Concubina Chuva
Algures….0:42… 18 de Outubro de 2006

Há noites assim…há noites em que faz vento, há noites em que a chuva é uma brilhante concubina e traz-nos à lembrança a memória de mais um dia…há dias assim….há dias um pouco mais especiais, que nos trazem pessoas que gostávamos de ver e lugares onde se está bem…e mesmo quando parece que o dia acabou e mais nada de mágico acontece, ligo a rádio e toca…. “Man is the Baby”, Anthony and the Jonhsons….


E chove, chove muito…relâmpagos e trovões tal como no dia em que para me abrigar da chuva, entrei numa loja de musica em Den Haag, e ao acaso escolhi ouvir o CD nº 2…soou “Hope There´s Someone" ...lá fora continuava a chover, a linha de eléctricos interrompida…e eu… eu… tão bem….

A ouvir: Jolie Holand, “A Crash in the Getto”
(um grande obrigado ao Nónó pela pipi das meias alternativas 2;) : **


 

17.10.06

Ora aí está a mais catita comitiva algarvia em visita profissional ao Oceanário ;)…
Surpresa boa! Anabela, Nha Rita e Chiclete…é sempre bom estar convosco e aproveitar para ver umas medusas da lua, não é ritinha?;) Deixo para o nosso biólogo as explicações cientificas….
E já sabem…Lisboa espera por mais visitas de estudo, oki?
Para a próxima, e só e se apenas quiserem( é claro)… como o Francisco) podem aproveitar e deixar os miúdos a fazer os respectivos deveres e trabalhos que lhes compete fazer …na escola ;)

Wednesday, October 18, 2006

 


Algarve, Restaurante do Lin-Bing, (estimado aluno da EIA).
Trampolim de belas noites algarvias….paredes meias com o Calisto e seus rios de sangue… 30.09.06

Há muito que me ocorreu uma ideia, que decidi explorar com o meu amigo Vítor, (neste momento luso-australiano), numa das noites em que as altas horas nos despertam o espírito e em catadupa seguem-se os mais variados pensamentos e reflexões interessantes, como a que passo apresentar…
Pois bem, atendendo à proliferação da cultura oriental no nosso pais, desde dos produtos made in Taiwan (como brinquedos, harmónicas e as pomadinhas do Chinês) até à multiplicação em massa das famosas “lojas dos chineses”, parece-me ser de bom tom e de real importância defender a cultura portuguesa.
Para tal devíamos encetar a tarefa pelo âmago da questão, pelas necessidades primárias… em várias palavras pelo o que nos aquece e conforta o estômago.
Assim sendo, porque não introduzir na ementa chinesa, um cunho verdadeiramente português? Resultaria numa dieta muito mais rica, colorida e saudável que passo a apresentar…

Canja de barbatana de Tubarão;
Chao Min de Tripas
Dobrada Agri-doce
Chop Soy de Rojões
Bacalhau 5 Maravilhas
Entremeada Família Feliz
Febras com ananás
Cozido à Pequim
Torresmos com molho de ameixa
Pasteis de bacalhau flamejados
Tremoços com molho picante
Pêra bêbada Fa-Si
Lichia Caramelizada
Moscatel de Lagarto e
Ginginha de Rosas em copinhos das caldas

Estando aberta a mais sugestões e só para finalizar….
por um questão de concordância, sou a favor das designações portuguesas em estabelecimentos nascidos em território nacional, assim sendo e a titulo exemplificativo, porque não denominar o Restaurante kam-kong,(o do Lin-Bing,) Restaurante Chinês Kam-kong e Cunha?


Tuesday, October 17, 2006

 
Lugares…é tão bom sentir a loucura dos lugares, é como que ficassem dentro de nós e nos acompanhassem para sempre, despertassem nas ocasiões em que é necessário um conforto e só o conseguimos recorrendo a imaginação ou à nossa memória. Esses lugares que existem são verdadeiros lugares, são omnipresentes e eternos, não desaparecem em intempéries, derrocadas ou atentados humanos de pertença ou posse.
São lugares que permanecem na comoção original dos dias e se perpetuam na casualidade do cruzamento de vidas e circunstâncias.

A ouvir: Iron & Wine ” Upward Over the Mountain”

 

“…YOU SPIN ME ROUND…”

FESTA RETRO 80´S
Sábado, 14.10.06, Ateneu Comercial de Lisboa

Apesar de ter estado em falta “ There is a Light that never goes out”, (Smiths) foi bom reviver The Cure, Depeche Mode, Pixies, Smiths, New Order….os 80´s menos alternativos, como “voyage, voyage”, “ don´t you want me baby” reservamos para uns bons copos….“…YOU SPIIN ME ROUUUUND…”

Wednesday, October 11, 2006

 

Pessoal lindo,

Agora que tenho este pequeno espaço, não me poderia esquecer do pessoal mai liiiiinnndooo e boa onda......
Um grande beijinho....ja tenho saudades de estar có vocês, ca nha rita, ca marlene, ca sofia, ca gi, ca ana, ca tricia, co dani, co chiclete, co luis carlos...enfim, co todos...;) loooll ja tenho saudades de apanhar com cada susto...cada um à sua escala, é claro...

 

"Se alargas os braços, desencadeia-se uma estrela de mão, a mão transparente, e atrás, nas embocaduras da noite, o mundo completo treme como uma árvore luzindo com a respiração"

Herberto Helder



Todas as janelas são portos seguros para quem lá quer ficar simplesmente a olhar....

 

Um candeeiro e um pôr de sol, um final de tarde de Janeiro… e a musica da Stina Nordestam...people are strange...
Há momentos belos. Há momentos sombrios. Há pedaços de terra que ficam por pisar e pedaços de nuvem que nunca chovem…fica também sempre alguém por amar.

Monday, October 09, 2006

 

É bom experimentar as primeiras palavras que nos ocorrem, quando a loucura íntima das horas nos alcança...


Escuro o dia
Volátil a vontade
Respirar a noite
Fugir à dentada
Escapar do tempo
Enfrentar igrejas
Discutir a eternidade
Espirrar vozes
Ouvir musica
Olhar luzes
Rebentar por dentro
Explodir com corações
Arranjar guilhotinas
Beijar-te.
Mergulhar no mar
Boiar nas ondas
Sentir o sol
Esfregar maçãs
Boicotar o sol
Ranger os dentes
Tocar as campainhas
Escutar parvos
Sentir nas palmas grãos de areia
Engasgar-me com espuma
Abraçar-te.

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